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Após deixar Bahia, Gadu relata falta de alimentação para atletas

Gadu diz que deixou o Bahia por não concordar com situações que aconteceram no clube

O que parecia uma saída tranquila ganhou clima conturbado no futebol feminino do Bahia. Horas depois do tricolor emitir nota alegando surpresa na decisão da atacante Gadu em não aceitar a oferta de renovação e deixar o Esquadrão, a jogadora se manifestou e rebateu o clube.

Em live realizada em sua conta no Instagram, Gadu respondeu perguntas de seguidores e afirmou que decidiu deixar o Bahia por não concordar com situações que aconteceram. Entre as acusações, ela chegou a dizer que faltava alimentação para as jogadoras e relatou atraso no pagamento dos salários.

“Primeiro eu pensei bastante na minha vida, preciso de desafios novos, conquistei muitas coisas aqui e vou ser grata com isso. Mas tiveram algumas coisas dentro do Bahia que me preocuparam. Questão de preocupação com alimentação, falta de alimentação em viagens, falta de alimentação no alojamento, situações quando eu me machuquei, de outras atletas que estavam passando na fisioterapia. Muitas coisas que foram juntando, virou uma bola de neve e pesou na minha decisão”, afirmou a centroavante, que nesta segunda-feira (1º) foi anunciada como reforço do Real Brasília, time que também conquistou acesso à Série A1 do Brasileirão. Além dela, a equipe contratou a também atacante Dan, que integrou o elenco tricolor na temporada 2020.

Ao CORREIO, o Bahia negou que as atletas tenham ficado sem alimentação no alojamento ou em viagens durante os torneios. O clube disse ainda desconhecer situações em que as jogadoras tiveram que bancar a própria alimentação.  

Gadu disse ainda que se sentiu ferida com as declarações emitidas pelo Esquadrão em nota oficial (leia abaixo). De acordo com o clube, foi feita uma oferta com proposta salarial de mais do que o dobro do que a atacante ganhava, e que não foi sequer respondida. A jogadora, no entanto, declarou que não é verdade e deu a versão dela sobre como a negociação aconteceu. 

“Não foi o dobro. As pessoas falam como se a gente ganhasse muito dinheiro. Eu não recusei oferta. Não foi questão salarial, mas questões pequenas que me fizeram tomar essa decisão”, iniciou Gadu. “O nosso contrato no futebol feminino não é profissional, é um contrato amador. Segundo que quem tratava sobre negociação era o nosso coordenador (Djailton Conceição), não era a diretoria. Entramos em contato com ele em novembro, quando eu me machuquei, ele adiou. Em dezembro o meu agente tentou conversar com ele e nada. Ainda em dezembro ele voltou a entrar em contato para uma prorrogação do contrato, que se encerraria em 31 de dezembro, pois ainda estavam tendo jogos. Nós assinamos por três meses, até março”.

A jogadora prosseguiu: “No dia 10 de janeiro ele entrou em contato com o meu representante, disse que queria conversar sobre a renovação. O meu empresário me passou o que o Bahia havia proposto. A decisão estava nas minhas mãos, mas eu sentei com o coordenador, expliquei os motivos e disse que estava de saída. Foi aí que a diretoria se manifestou. Vitor Ferraz (vice-presidente) tentou negociar e, de todos que conversaram comigo, ele foi o único que mostrou interesse na permanência. Os outros não. Ele conversou com o meu assessor, mas mesmo antes de postar nas redes sociais eu conversei com Vitor e avisei que estava de saída. Não fui mau-caráter. Jamais faria isso”, completou.

Confira a nota emitida pelo Bahia e que gerou a resposta de Gadu: 

“O Esporte Clube Bahia vem a público se manifestar sobre a saída da atacante Gadu do time feminino tricolor, que recentemente conquistou o acesso à elite do futebol brasileiro.

A primeira oferta de renovação contratual aconteceu em dezembro, para ganhar mais do que o dobro do salário, porém em nenhum momento houve uma contraproposta por parte da atleta ou de seu empresário, assim como uma comunicação de que estava negociando com outra equipe.

A diretoria chegou a se reunir presencialmente com Gadu no dia 21 de janeiro, quando reafirmou o objetivo da permanência da camisa 9, inclusive com uma valorização cada vez maior dentro do clube e destaque no Museu do Bahia, prestes a ser inaugurado na Fonte Nova.

Na última semana, para nossa surpresa, tomamos conhecimento de que ela havia assinado um pré-contrato ainda no ano passado com o Real Brasília, outro time que conquistou o acesso.

O planejamento para as Meninas de Aço prevê não apenas a construção de um alojamento específico para elas no CT Evaristo de Macedo como a ampliação do investimento atual.

Agradecemos a Gadu pelos grandes serviços prestados, com direito a 32 gols em 15 jogos oficiais, e desejamos boa sorte no prosseguimento de sua carreira”.