Política

Após Rússia, EUA validam extensão do tratado de desarmamento nuclear


Anúncio ocorre a 2 dias da expiração do pacto e em meio a crescentes tensões entre as potências devido à prisão de Alexei Navalny, principal opositor do presidente russo, Vladimir Putin. O novo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, participa de entrevista coletiva em Washington em 27 de janeiro
Carlos Barria/Pool via Reuters
Os Estados Unidos validaram nesta quarta-feira (3) a prorrogação por cinco anos do tratado de desarmamento nuclear com a Rússia, conhecido como New Start, sete dias após o Parlamento russo ter aprovado sua extensão.
O anúncio foi feito pelo chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, em um comunicado: “Biden prometeu manter o povo americano a salvo das ameaças nucleares, restaurando a liderança dos Estados Unidos na questão do controle de armas e não proliferação”.
“Hoje, os EUA deram o primeiro passo para cumprir essa promessa”, afirmou o secretário de Estado.
O anúncio ocorre a dois dias do prazo de expiração do pacto e em meio a crescentes tensões entre os dois países devido à prisão de Alexei Navalny, principal opositor do presidente russo, Vladimir Putin.
Navalny foi condenado ontem a passar dois anos e seis meses na prisão por violar sua liberdade condicional. Ele havia sido condenado em 2014 a três anos e meio de prisão e cumpriu doze meses da pena em casa, e um tribunal entendeu ele não se apresentou regularmente ao serviço penitenciário.
O político foi preso em 17 de janeiro, assim que desembarcou na Rússia, após passar meses na Alemanha se recuperando de um envenenamento na Sibéria, em agosto. Navalny acusa o governo Putin de estar por trás da tentativa de assassinato — o que o Kremlin nega.
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Termos do acordo
O New Start (Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas) foi assinado em 2010 e limita o número de ogivas nucleares estratégicas, mísseis e bombardeiros que as duas potências podem usar.
Ele limita os arsenais de ambos a 1.550 ogivas nucleares para cada país (30% a menos do que o fixado em 2002) e a 800 lançadores e bombardeiros pesados. Os arsenais, no entanto, ainda são suficientes para destruir a Terra várias vezes.
“Em tempos de tensões, ter limites verificáveis sobre as armas nucleares da Rússia com alcance intercontinental é de vital importância”, afirmou o Departamento de Estado no comunicado. “Uma competição nuclear sem limites nos colocaria em perigo”.
O recém-empossado governo do democrata Joe Biden tem anunciado todos os dias novas medidas para se distanciar de seu antecessor, o republicano Donald Trump, que tentava — sem sucesso — condicionar a extensão do acordo à imposição de novas medidas por parte da Rússia.
O ministério das Relações Exteriores russo comemorou a extensão do acordo, afirmando que ele garante a “preservação” de um mecanismo fundamental para “manter a estabilidade estratégica”.
O acordo é um dos poucos compromissos entre Moscou e Washington, cujos laços se deterioraram drasticamente nos últimos anos devido a desacordos em várias questões internacionais e acusações mútuas.
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