Geral

Argentina vive o ‘pior momento da pandemia’, diz ministra da Saúde do país


Carla Vizzotti pediu que a saúde da população seja priorizada frente a disputas políticas. Prefeitura de Buenos Aires tenta barrar o fechamento temporário das escolas na região. Carla Vizzotti durante entrevista coletiva na Casa Rosada, sede do governo argentino, em Buenos Aires, em 21 de abril de 2021
Maria Eugenia Cerutti/AFP
A ministra da Saúde da Argentina, Carla Vizzotti, disse nesta quarta-feira (21) que o país enfrenta o “pior momento da pandemia”. Ela defendeu priorizar a saúde da população enquanto a prefeitura de Buenos Aires tenta impedir o fechamento de escolas.
“A Argentina está vivendo o pior momento da pandemia desde 3 de março do ano passado. É o momento de maior risco”, disse Vizzotti em entrevista coletiva.
A ocupação dos leitos de UTI na região metropolitana de Buenos Aires – onde vive quase um terço de toda a população do país de cerca de 45 milhões de habitantes – já chega aos 75%.
“Precisamos priorizar a saúde sobre a política e avaliar, hierarquizar o risco coletivo”, disse a ministra. “O sistema de saúde está em risco de transbordar”.
Vizzotti se pronunciou em relação a ofensiva do prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, contra o fechamento temporário das escolas protocolado na Justiça argentina.
Contrário ao fechamento de escolas
Rodríguez, que pertence ao partido de centro-direita Propuesta Republicana – opositor à coalizão de esquerda Frente de Todos que governa o país – é contrário ao fechamento das escolas.
O prefeito de Buenos Aires ordenou pela reabertura apoiado em uma decisão judicial – e desafiando um decreto presidencial.
O governo de Alberto Fernández ordenou a aplicação de aulas remotas por um período de 15 dias para diminuir a circulação de pessoas na capital argentina.
Larreta acredita que “as escolas não contagiam” e justificou sua oposição no fato de “a cidade ter autonomia” para tomar decisões, em um caso que deve ser resolvido pelo Supremo Tribunal.
“Não se trata do risco individual de assistir às aulas, mas do risco coletivo de uma aglomeração urbana com transmissão comunitária intensa do vírus e velocidade acelerada”, explicou a ministra.
O decreto presidencial também ordenou restringir a circulação na região metropolitana de Buenos Aires entre 20h00 e 06h00 até 30 de abril.
LEIA TAMBÉM: Alberto Fernández, presidente da Argentina, dá resposta a Bolsonaro sobre papel dos militares na pandemia
Casos e mortes no país
A Argentina já registrou, desde o início da pandemia mais de 2,7 milhões de casos confirmados de Covid-19. Ao menos 60 mil pessoas morreram por complicações da doença.
Apenas nas últimas 24 horas, 316 pessoas morreram de Covid-19 no país, segundo o boletim oficial do estado.
A capital do país e toda sua região metropolitana – onde vivem 15 milhões de pessoas – são apontados como o epicentro dos novos contágios.