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Barões da Pisadinha: novo voo e sonho de emplacar a música do Carnaval

Felipe Barão (teclado) e Rodrigo Barão (voz) comandam a banda

O ano de 2021 da banda baiana Os Barões da Pisadinha ‘tá rocheda’. Mas ao contrário da canção que projetou o grupo em todo o Brasil, a gíria nordestina aqui não é uma ironia. Segundo o Museu da Língua Portuguesa, ‘rocheda’ quer dizer ‘muito bom’. E depois de um 2020 marcado por diversos hits nacionais, o projeto audiovisual Da Roça Pra Cidade começa a ser lançado nessa sexta-feira (22) como a mais nova aposta de sucesso do grupo que nasceu – e ainda vive – em Heliópolis, na Bahia. 

O vocalista Rodrigo Barão, na verdade, nasceu em Raspador, um distrito da cidade de Ribeira do Amparo, vizinho a Heliópolis. Foi nessa região do nordeste baiano que surgiu a ideia de montar a banda Barões do Forró, em 2015. “Passamos por situações difíceis, sem dinheiro para investir, fazendo shows sem cachê, só para as pessoas nos conhecerem mais”, lembra Rodrigo. Ao ficarem conhecidos, ao mesmo tempo em que o ritmo da pisadinha dominava a internet, a mudança de nome foi fundamental para o sucesso.   

Agora, o grupo tem a alegria de dizer que já dividiu o palco com artistas consagrados nacionalmente, como a dupla sertaneja Fernando e Sorocaba e o cantor de forró Xand Avião. Em Da Roça Pra Cidade vai ter ainda mais parcerias com Jorge, da dupla com Mateus, Wesley Safadão e Maiara e Maraísa. Mas seguindo a estratégia comum atualmente no meio artístico, o lançamento do DVD será em “doses homeopáticas”.  

Ao vivo e sem público

Nessa sexta, o público conhecerá apenas as faixas Esquema Preferido e Meia Noite (Cê Tem Meu WhatsApp). As outras 16 canções, todas inéditas, devem ser lançadas até agosto de 2021. O DVD foi gravado no dia 17 de dezembro em Goiânia, sem a presença de público. “Temos saudades dos shows lotados, de todo mundo junto com a gente. Mas entendemos que a situação pede cuidado e seguimos trabalhando, para assim que voltarmos, entregarmos tudo que o povo quer”, afirma o tecladista Felipe Barão. 

É ele quem toca o instrumento característico do ritmo. Graças ao que Felipe faz com o teclado, Os Barões da Pisadinha dispensam a bateria, contrabaixo e percussão, usando a mais apenas sanfona e guitarra. Se a pandemia permitisse que shows estivessem sendo realizados, o público veria na apresentação do grupo baiano um chamado palco limpo, com poucos músicos. Essa é uma das características das bandas que tocam pisadinha.  

Rodrigo e Felipe são amigos e dividem a fama dos Barões (Foto: Fabio Gallo/Divulgação)  

“Ela tem uma batida que nos ajudou, por ser um estilo fácil para dançar, com músicas que se aproximam do público”, aponta o vocalista. Não foram eles que criaram o ritmo. A pisadinha é antiga, derivada do forró. Surgiu na década de 2000, na cidade de Cansanção, também no nordeste baiano, com o cantor Nelson Nascimento. O nome dado é uma referência a forma como as pessoas dançam, pisando aceleradamente no chão.  

“Ela tem uma batida bem marcada com o teclado também. No nosso som, a gente foi experimentando e moldando para caber no que queríamos apresentar. O timbre do Rodrigo também é algo que complementa muito bem com a música, é uma junção que casou muito bem com a gente”, explica Felipe Barão.  

Recordes 
Se a banda baiana não pôde lotar shows em todo o país, por causa da pandemia, o jeito foi quebrar recordes na internet. Eles foram líderes nas plataformas de streaming durante parte do ano passado com mais de 1,5 bilhão de execuções de vídeos e áudios. O DVD Conquistas, primeiro da banda, gravado em fevereiro de 2020, em São Paulo, para um público de cerca de 10 mil pessoas, é somente o álbum mais escutado do spotify.  

Gravado pela Sony Music, o DVD chegou a colocar até 21 faixas no Top 200 do Spotify e 25 na Deezer. Dentre as canções, Recairei chegou a ser a música mais ouvida do Spotify em algumas semanas do ano passado, além de ser a mais executada no Deezer na meia-noite do dia 31 de dezembro. Tanto sucesso não era esperado pelo grupo.  

“Foi uma surpresa. Nosso sonho era viver da música, lutamos muito para isso, mas alcançamos muito mais. Só Deus para explicar. A gente segue sem entender muito todo esse sucesso, mas somos muito gratos e estamos muito felizes com tudo que tem acontecido”, garante Rodrigo Barão. 

Mesmo com tanta fama, a dupla segue vivendo em Heliópolis e ajudando a família. “Conseguimos realizar alguns sonhos, comprar algumas coisas e devolver um pouco do apoio que recebemos dos familiares”, diz Felipe. Conquistar a internet não foi fácil, mas o sonho da banda baiana agora é emplacar a música do Carnaval de Salvador. “Seria um prazer e mais uma conquista!”, exclama Rodrigo. Se depender do que o povo escuta, podemos crer que eles merecem esse ‘prêmio’.  

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* Com orientação da editora Ana Cristina Pereira