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‘Bell’ que subiu em trio fake na Barra, na verdade, é especialista em ferry; conheça

Fevereiro, Barra, ‘Bell’ em cima do ‘trio’ cantando Selva Branca e uns desajuizados saindo na mão em meio à pipoca. Essa mistura, um dos marcos do Carnaval de Salvador, não seria vista em 2021, até que o humorista Diego Criolo pegou sua bandana e viola, subiu numa “prancha” e deu a volta no muro da proibição, encontrando-se com os órfãos da folia na última quarta-feira (10) – data em que alguns blocos e fanfarras já estariam na rua para aquecer o folião em condições normais de temperatura e pressão.

O Camaleão de mentirinha viralizou nas redes sociais e até Bell de verdade compartilhou um dos vídeos gravados da apresentação, que durou mais ou menos uma hora de relógio e parou em pontos famosos do circuito Dodô, como o Cristo, Barravento e, claro, o Farol da Barra. Assista:

No trajeto a apresentação atraiu olhares e câmeras de curiosos. Aqueles com um grau maior de abstinência do Carnaval não pensaram duas vezes e formaram uma mini pipoca. Até um ambulante com isopor na cabeça se juntou ao bando, enquanto os rapazes que fingiam estar brigando quase causaram problemas para Diego. “Quem via de longe achava que eles estavam se esmurrando de verdade. Aí tive que explicar toda a situação”, lembra o artista de 31 anos.

De barba, bandana e óculos todos viram Bell (Foto: Acervo Pessoal)

Bell de mentira, artista de verdade
Diego nunca tinha feito cover de Bell – e de cantor nenhum. A ideia da apresentação surgiu três dias antes dela acontecer, quando o artista de rua começou a pensar numa intervenção para o Carnaval. 

Então ele se lembrou de um ‘causo’ ocorrido há dois anos, quando ele foi fazer seu show mas esqueceu o boné, parte fundamental do figurino. Para não ficar com a cabeça pelada, Criolo comprou um pano de prato com um ambulante e amarrou na cabeça, improvisando uma bandana. O público imediatamente disse que ele estava parecido com o ex-Chiclete com Banana. “É a prova que de barba, bandana e óculos todos ficam iguais a Bell”, brinca.

Memória reacesa, era hora de entrar no personagem. Morador do Calabar, ele pegou emprestado com alguns vizinhos uma prancha, geralmente utilizada para carregar materiais de construção, que transformou-se no trio. Colocou uma caixa de som e microfone em cima, vestiu a bandana e desceu para Barra. O sucesso foi tanto que domingo (14) ele vai se vestir de Carlinhos Brown, para dar uma variada, e sair pelo circuito.

“Brown é só pintar a barba e colocar o turbante. Mas eu estou muito feliz com a repercussão. Algumas empresas entraram em contato comigo para fazer o cover na festa de Carnaval delas. Semana que vem já tenho duas agendadas, por exemplo. Também ganhei 2,5 mil seguidores no Instagram neste período”, comemora.

Brown é o próximo a ser homenageado (Foto: Acervo Pessoal)

A Ferry e fogo
Apesar de ser iniciante no trio, Diego já está acostumado a se apresentar em veículos motorizados – porém aquáticos. Artista há 12 anos, ele já atuou por diversas vezes no teatro, mas o palco que o cativou mesmo foi o Ferry. Há dois anos trocou o circuito convencional pelas ruas e costuma apresentar-se no Terminal Marítimo de São Joaquim, onde apresenta sua esquete mais famosa, Jegnosvaldo e Rosa.

No show, feito em parceria com seu amigo Rei Freitas, interpretam um casal que sempre está discutindo. Geralmente o motivo da discórdia é uma ida frustrada à Ilha de Itaparica. Rosa sempre teve o sonho de cruzar a Baía de Todos os Santos e seu amado realizou este sonho. O problema é que no outro lado o casal se hospedou na casa de uma amiga de Jegnosvaldo e a esposa é, digamos, entrona.

Ela começou a mexer na cozinha e nos utensílios da anfitriã, contar quantos arroz ela tinha, criticar a forma dela organizar a casa. Pê da vida com essa atitude de rosinha, a amiga de seu Jeg expulsou o casal de casa. E a briga dos dois acontece justamente no momento de chegada à Salvador. 

Diego é ator desde os 19 anos (Foto: Acervo Pessoal)

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