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Biden fala com rei saudita antes da publicação de relatório sobre morte de Khashoggi


Presidente dos EUA reforçou compromisso em ‘ajudar Arábia Saudita a defender seu território dos ataques de grupos aliados ao Irã’, mas também mencionou importância de direitos humanos, segundo Casa Branca. Relatório de inteligência americana que terá sigilo suspenso pode apontar responsabilidade de príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na morte do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018. O rei Salman bin Abdulaziz, da Arábia Saudita, em foto de 19 de março de 2020
Bandar Al-Jaloud / Palácio Real Saudita / AFP
O presidente americano, Joe Biden, falou por telefone nesta quinta-feira (25) com o rei Salman, da Arábia Saudita, uma conversa que ocorre na iminência da publicação de um aguardado relatório de inteligência sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi.
Durante o telefonema, Biden reforçou o compromisso em “ajudar a Arábia Saudita a defender seu território dos ataques de grupos aliados ao Irã”, mas também destacou a “importância que os Estados Unidos dão aos direitos humanos e ao Estado de Direito”, informou a Casa Branca.
“O presidente destacou positivamente a libertação recente de vários ativistas saudita-americanos e de Loujain al Hathloul”, detalhou o comunicado.
Os dois dirigentes também discutiram os esforços dos Estados Unidos para “pôr fim à guerra no Iêmen”, depois de Biden suspender o apoio que Washington deu à coalizão militar encabeçada por Riade.
A conversa ocorreu antes da suspensão do sigilo de um relatório de inteligência sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018 no consulado de Riade em Istambul, na Turquia.
A morte de Khashoggi, colaborador do jornal “The Washington Post”, gerou indignação internacional e nesta quinta o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse que a publicação do informe é um passo importante para que os responsáveis “prestem contas”.
Entenda o caso do jornalista da Arábia Saudita morto na Turquia
Jamal Khashoggi: jornalista e intelectual saudita engajado
Há especulações de que o relatório pode apontar a responsabilidade do príncipe-herdeiro do reino saudita, Mohammed bin Salman, apesar de Riade negar estas acusações.
A suspensão do sigilo deste informe marca um profundo contraste com a política do ex-presidente republicano Donald Trump, que destacou seus vínculos estreitos com a Arábia Saudita. Seu próprio genro e assessor, Jared Kushner, trocava textos com o príncipe Mohammed.
“Recalibrar” as relações
Khashoggi – que morava nos Estados Unidos – era um crítico ferrenho do governo saudita e foi assassinado após entrar no consulado para buscar uma certidão para se casar.
Montagem com fotos do jornalista Jamal Khashoggi e o príncipe Mohammed bin Salman
Mohammed al-Shaikh/AFP; Bandar Algaloud/Media Office Of Mohammed Bin Salman/AFP
Após o assassinato, um grupo bipartidário de senadores americanos que tiveram acesso a um relatório da CIA informaram, em dezembro de 2018, que o príncipe-herdeiro foi cúmplice.
Dias depois, o Senado em seu conjunto aprovou uma resolução para assinalar o herdeiro como “responsável” pelo crime.
“Espero que este informe mostre ainda mais claramente que MBS esteve envolvido no assassinato de Khashoggi. Essa é a minha hipótese”, disse à AFP o especialista Simon Henderson, do centro de estudos Near East Policy, com sede em Washington.
Apesar de o governo Biden ter acenado com a ameaça de ações punitivas, por enquanto não confirmou que esteja disposto a sancionar o príncipe.
Com respeito ao impacto que que terá nas relações com a Arábia Saudita, Price informou que Biden “vai revisar por completo as relações para se assegurar que promovam os interesses do povo americano e para se assegurar que reflitam seus valores”.
A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse, por sua vez, que “há uma série de medidas sobre a mesa”, sem dar mais detalhes.
O novo governo americano já antecipou que vai “recalibrar” as relações com Riade e que seu interlocutor será o rei Salman e não o príncipe, e que darão ênfase aos direitos humanos.
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