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Com 30% de queda na arrecadação de doações, Instituto de Cegos da Bahia pede socorro

O Instituto de Cegos da Bahia que, por ano, faz 130 mil atendimentos para pessoas em vulnerabilidade social de toda a Bahia em um serviço realizado através do Sistema Único de Saúde (SUS), mas que não é custeado integralmente pelo governo federal, passa por maus bocados para custear a própria operação. Isso porque a gestão do local estima uma queda de 30% em doações ao longo dos últimos meses. Para se ter uma ideia do problema, em porcentagem, 40% da verba que viabiliza o funcionamento do instituto vem do SUS, enquanto 60% vem de doações da sociedade, uma fonte que tem se esvaziado durante a pandemia de covid-19.

Quem quiser ajudar, agora, basta fazer um PIX (veja abaixo). O canal de doações surge como esperança para evitar o déficit na arrecadação que compromete uma operação que conta com 60 funcionários e oferece, diariamente, diversos atendimentos para baianos com deficiência visual de todas as faixas etárias. 

São feitos, por exemplo, exames de refração e mapeamento ocular, orientações quanto ao direito dos atendidos a benefícios sociais, atendimento psicológico para os pacientes e para as famílias e até terapias ocupacionais com especialistas para auxiliá-los a desenvolver atividades necessárias mesmo com a limitação visual. 

Serviço de adaptação

O instituto também aceita a entrega de alimentos e, em contexto de pandemia, a doação de itens fundamentais como máscaras e álcool em gel. A campanha é reforçada para facilitar a continuidade de um serviço que, por exemplo, ajuda a pequena Stefany Mascarenhas, de 1 ano, que se consulta por lá desde que seus pais descobriram sua deficiência. A mãe Geane Mascarenhas, 29, comenta. “Stefany é acompanhada pela oftalmo e também pela terapeuta. Desde o começo, as atividades aqui fizeram ela melhorar muito. Tanto a percepção dos estímulos visuais como a coordenação motora. Uma avanço grande que a gente deve a esse serviço”, comemora.

Stefany realiza exames de rotina no instituto (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Outra que tem evoluído com o atendimento no instituto é Priscila Jesus, 34, que vai ao local desde 2018, quando teve um AVC que comprometeu grande parte da sua visão, fazendo com que ela só enxergasse vultos. 

Em fase avançada de adaptação, ela já faz seções de Adaptação à Vida Diária, que a ajudam a executar tarefas comuns do dia a dia como lavar a louça e cozinhar. “A atividade me dá autonomia. Muitas vezes eu me perguntei como ia fazer as coisas após a deficiência e aqui eu ganhei força pra não parar por isso. Na prática, aprendi como adaptar as coisas e continuar fazendo minhas atividades. Lavar louça, mexer com o fogão, microondas. Até a medida certa pra cortar as verduras já reaprendi após começar aqui”, diz Priscila, que foi aprovada recentemente na Escola de Dança da UFBA.

Priscila aprende coisas básicas do dia a dia depois de perder maior parte da visão (Nara Gentil/CORREIO)

João Gabriel Santos, 7, está no instituto desde quando tinha oito meses e também trilha um caminho de evolução. Sua mãe, Ane Santos, 34, afirma que o filho, que tinha indícios de autismo quando era novo, desenvolveu não só a percepção aos estímulos visuais, mas também a fala e virou uma criança menos retraída. “Sem contar os avanços quanto a visão, que são ótimos, ele é uma criança muito mais comunicativa hoje. Era mais retraído no início e se soltou com as terapias ocupacionais”, lembra. E a tese da mãe é comprovada facilmente ao ouvir o pequeno que, ao ser perguntado sobre as atividades no instituto, prontamente afirma que adora. “Aprendo, gosto e me divirto com as coisas que a gente faz aqui”, declara.

João Gabriel adora a terapia ocupacional que faz no instituto (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Doações essenciais 

Além das atividades já citadas, o instituto promove aulas musicais com diversos instrumentos, práticas esportivas e orientações para inserção digital. Ações que, segundo a presidente Heliana Diniz, podem ser ampliadas. “No início do mês, a gente abre pra marcação no dia 1° e, no dia 3, já não tem mais vaga. Há uma fila quilométrica e é frustrante não poder atender todo mundo. Precisamos das doações para poder acolher mais pessoas também”, afirma Heliana, que ressalta também a diferença que a oferta gratuita de consultas oftalmológicas pode fazer na vida de alguém que esteja com uma doença que pode o deixar cego.

Heliana ressaltou a importância de doações para continuidade de serviços (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

A afirmação é confirmada por Amilton, presidente da Sociedade de Oftalmologia da Bahia, que informa que 80% dos casos de cegueira e baixa visão são evitáveis e tratáveis se diagnosticados a tempo, salientando a importância da disponibilização em larga escala de atendimento e da ida das pessoas aos oftalmos. “A gente está no abril marrom, quando fazemos a campanha de prevenção à cegueira. É importante reforçar que quanto mais cedo o diagnóstico da maioria das doenças que causam cegueira, melhor. Principalmente, glaucoma, doenças na retina. Porque, quando tratadas no início, a cegueira é evitada”, explica.

Como doar:

Por Pix – (71) 98817-3193

Pelo site – www.institutodecegosdabahia.org.br/doeagora

Telefone para saber como ajudar de outras formas – (71) 3016-8100

Serviços do instituto

  • Consultas oftalmolõgicas
  • Terapias ccupacionais
  • Atendimentos psicológicos
  • Assistência social
  • Aulas de músicas
  • Aulas de esportes
  • Aulas de inserção digital

*Sob supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro