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Cruz das Almas: mais de 100 pessoas tiveram vacina trocada no cartão, diz secretário

Checar a vacina, o lote, a dosagem, as datas, anotar no cartão de vacinação, registrar no sistema. Os cuidados na hora da aplicação de imunizantes são muitos e, em relação à vacina contra a covid-19, vêm gerando confusão. No município de Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, houve problemas com o registro no cartão de vacinação. Segundo o secretário de saúde do município, Sandro Borges, mais de 100 pessoas foram vacinadas em primeira dose com o imunizante da Oxford/Astrazeneca e, no entanto, no cartão de vacinação foi registrado como Coronavac. 

“A troca aconteceu com mais de 100 pessoas, pelo que identificamos, e acredito que 99% delas foram comunicadas pela secretaria. Até onde sabemos, nenhuma pessoa chegou a tomar, de fato, a segunda dose de outra vacina que não fosse a mesma que a da primeira dose”, disse Borges, em entrevista ao CORREIO. 

A confusão poderia causar problemas com relação à segunda dose, já que o prazo de aplicação deveria ser de 90 dias, para Astrazeneca, e não de 28 dias, que é o prazo da Coronavac. O caso ocorreu com as pessoas que se vacinaram nos dias 23 e 24 de março, no drive-thru da Praça Sumaúma, em Cruz das Almas. A prefeitura da cidade admitiu o erro. Segundo a gestão, a equipe de saúde fazia a imunização com Coronavac, quando recebeu um lote da Astrazeneca, mas continuou incluindo no cartão a vacina do Instituto Butantan. 

“A secretaria identificou a troca. No dia 23 e 24 de março, nós tínhamos dois lotes de vacina: Coronavac e Astrazeneca. Nós estávamos vacinando no ponto de drive- thru. Quando acabou o lote da Coronavac, nós encaminhamos o lote de Astrazeneca, mas nosso pessoal não se atentou para isso e estava preenchendo o cartão com o nome errado da vacina. Então houve algumas pessoas que tomaram a vacina Astrazeneca mas, na verdade, tiveram escrito no cartão Coronavac com prazo de 28 dias de retorno para segunda dose”, explicou o secretário de saúde.

O secretário ainda informou que, ao ser identificado o erro, a Vigilância Epidemiológica fez uma busca ativa para que fosse feita a correção da data da segunda dose no cartão de vacinação.“Na mesma semana nós identificamos o caso e fizemos uma busca ativa dessas pessoas. Fomos às residências para comunicar e explicar o ocorrido. Algumas que não puderam ser contatadas retornaram para tomar a segunda dose e então foram informadas na hora. 

Borges comentou, em um entrevista à uma rádio local, sobre a possibilidade de que pessoas tenham tomado ou venham a tomar a segunda dose errada. “Se existiu alguma pessoa, não tem problema. Ela vai tomar a outra dose da vacina correspondente. Ela não vai ficar sem sua dose. Não existe risco à saúde. Não há problema de saúde. O único problema é tomar a dose correta. Essas pessoas se existirem, na realidade elas vão ser beneficiadas, porque tomaram uma dose a mais da vacina. Se tiver alguém, a gente coloca a secretaria à disposição”, diz o secretário no vídeo que circula nas redes sociais. No entanto, não há comprovação científica sobre o possível benefício da dose extra, como afirma o secretário.

Na nota, a prefeitura ainda informou que as equipes de saúde receberam novas instruções para que o erro não volte a acontecer: “É importante informar também que a Vigilância Epidemiológica tem acesso às informações sobre o lote da vacina aplicada e consequentemente, de qual laboratório pertence o imunizante. Desta forma, salientamos que, quem se vacinou nos dias 23 e 24 de março e tem qualquer dúvida sobre a vacina que tomou, deve procurar a Vigilância Epidemiológica, na Secretaria de Saúde para os devidos esclarecimentos. Vale ressaltar que, a Secretaria de Saúde se reuniu com as pessoas que fazem parte da equipe de vacinação para chamar a atenção sobre a falha ocorrida e evitar que esse erro seja repetido”, diz a nota.

As duas vacinas tiveram uso aprovado pela Anvisa no Brasil e são usadas no programa de imunização. Porém, quem toma a primeira dose de uma deve tomar a segunda dose do mesmo imunizante. Não há comprovação de eficácia da imunização quando o paciente recebe doses da vacina de diferentes fabricantes. 

*Com orientação da subeditora Monique Lôbo.