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De rocha: mineração salvou 18 municípios baianos da crise na pandemia. Saiba como

Mina de níquel em Itagibá retomou operação em 2020

Quando pensa na coisa mais importante que aconteceu em 2020, Áthila Palafóz Barreto tem uma resposta bem diferente daquela que se espera da imensa maioria da população mundial. “A reabertura da mina Santa Rita”, responde com convicção. Para ele e boa parte dos outros 15 mil habitantes de Itagiba, a menos de 400 quilômetros de Salvador, a chegada da Atlantic Nickel para a retomada da produção de minério trouxe não apenas uma alternativa econômica, como um reforço na assistência à população impactada pela covid-19. 

“A retomada desta mina foi a coisa mais importante que já aconteceu aqui. Se não estivesse funcionando durante a pandemia…”, projeta, deixando no ar um cenário de grandes dificuldades. “A mina não parou. Nas outras cidades houve muito desemprego. Além disso, aqui a mineradora ajudou muito na questão da covid”, complementa o taxista de 41 anos, que se tornou empresário no ano passado para atender uma demanda da mineradora e hoje emprega mais quatro motoristas.  

Com a retomada da mina, Itagibá viveu intensamente um processo que se repetiu nos principais municípios que tem a produção mineral entre as principais atividades econômicas.

CORREIO Gráficos

A Bahia ampliou em quase 70% a arrecadação de Cfem, os royalties pagos pela mineração, em 2020, na comparação com 2019. O valor arrecadado anualmente passou de R$ 32,9 milhões para R$ 55,9 milhões. Nas 20 principais cidades mineradoras da Bahia, a atividade fez a diferença – a arrecadação de tributos estaduais, termômetro da atividade econômica, manteve-se positiva com uma alta média de 4,4% em relação a 2019. 

Nos locais selecionados, a arrecadação foi mais elevada em R$ 66 milhões. Como comparação, o estado como um todo registrou uma queda de 1,5%. No conjunto dos 417 municípios baianos registrou-se uma queda de R$ 412,4 milhões em arrecadação, de acordo com levantamento da reportagem, com base em dados da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). 

Entre municípios mineradores, apenas dois registraram queda no volume arrecadado: Juazeiro e Nordestina, com reduções de 3,14% e 10,37%, respectivamente. Nos demais, o termômetro da atividade econômica indicou um ritmo acelerado de crescimento. Itagiba registrou um aumento de quase 125% na arrecadação de tributos estaduais.  

Top 20 em Royalties minerais na Bahia

  1. Jacobina – R$ 13.386.882,31
  2. Juazeiro – R$ 8.460.679,35
  3. Itagibá – R$ 5.601.839,32
  4. Jaguarari – R$ 5.458.198,48
  5. Barrocas – R$ 4.746.888,41
  6. Andorinha – R$ 3.004.526,87
  7. Brumado – R$ 2.547.947,26
  8. Maracás – R$ 1.711.268,47
  9. Nordestina – R$ 1.305.935,29
  10. Belmonte – R$ 953.906,87
  11. Dias D’Ávila – R$ 785.678,21
  12. Simões filho – R$ 716.805,78
  13. Vera Cruz – R$ 698.505,83
  14. Campo A. de Lourdes  – R$ 635.506,67
  15. Salvador – R$ 465.364,07
  16. Paramirim – R$ 456.492,73
  17. Campo Formoso – R$ 393.868,36
  18. São Desidério – R$ 271.934,33
  19. Ibotirama – R$ 253.560,56
  20. Tucano – R$ 250.254,94

 
Serviço de bordo

Áthila conhece bem a história da região. Apesar do “Palafóz” no sobrenome, que entrega a origem grega, a família vive no Sul da Bahia há quatro gerações. O bizavô desembarcou em Itacaré, entretanto foi em Itagibá e na vizinha Ipiaú que a família se fixou. Do pai, aposentado, ele herdou a profissão de taxista. Com a mineração, surgiu a oportunidade de empreender. 

O motorista Áthila Palafoz abriu uma empresa de transporte executivo (Foto: Acervo pessoal)

Água, suco, derivados do cacau, chocolate e mel são alguns itens que passaram a fazer parte do cardápio da empresa de transporte executivo de Áthila. O “serviço de bordo” é prestado por profissionais devidamente uniformizados e capacitados.

“A empresa nasceu em função da mineradora, mas todo cliente nosso tem direito a este serviço de bordo. Fizemos curso de transporte de passageiros”, conta. “Eu era pessoa física, tive que adequar para pessoa jurídica”, diz.  

A retomada da produção mineral lá é a prova de que os benefícios gerados pela mineração vão muito além dos royalties pagos pelas mineradoras ou dos tributos arrecadados diretamente pela atividade. Há um impacto indireto no setor de comércio e serviços. A Santa Rita ficou três anos e três meses parada, lembra Áthila. O movimento na praça era 1% do que ele faz hoje, lembra. 

Atlantic Nickel retomou produção em Itagibá no ano passado (Foto: Divulgação)

Em 2020, a Atlantic Nickel produziu 67,7 mil toneladas de concentrado de níquel. Este ano a empresa já ultrapassou a marca de 29 mil toneladas exportadas. Toda a carga foi escoada através do Porto de Ilhéus para países da Ásia e Europa. O metal produzido em Itagibá é fundamental para a fabricação das baterias de carros elétricos. A cidade baiana tem uma das maiores minas de níquel sulfetado a céu aberto do mundo e a única em operação no Brasil. 

Controlada pelo grupo Appian Capital Brazil, a operação gera mais de mais de 1.700 empregos diretos e já injetou mais de R$ 151 milhões na economia baiana em compras e contratos com fornecedores locais. 

A projeção da empresa é de dobrar a capacidade produtiva, com o início da operação subterrânea na Mina Santa Rita, prevista para 2028, o que vai elevar o tempo de vida útil da mina para 34 anos  – 8 anos a céu aberto e mais 26 anos de mina subterrânea. Cerca de US$ 355 milhões – equivalentes a R$ 1,9 bilhão na cotação atual –  devem ser investidos nos primeiros cinco anos desta nova fase.   Além disso, a empresa comemora a recente descoberta de um novo depósito com potencial significativo de recursos de níquel a 26km de distância e no mesmo cinturão geológico da Mina Santa Rita.

Felipe Blanco, coordenador de Comunicação e Sustentabilidade Atlantic Nickel, conta que a mineradora realizou os sete embarques que estavam previstos no ano passado. Este ano, a empresa pretende realizar 12. Segundo ele, a retomada da operação em meio a uma pandemia exigiu cuidados da empresa no sentido de garantir a segurança dos colaboradores.

“A gente retomou atividades em janeiro do ano passado para recriar a empresa. Inicialmente imaginou-se 15 dias, depois prorrogou por um tempo indeterminado. A produção fluiu bem porque conseguimos garantir segurança para os trabalhadores”, lembra. 

Além da atuação dentro dos limites da empresa, houve um esforço para colaborar no combate à pandemia nas cidades de Itagibá e Ipiaú. “Pegamos R$ 1,2 milhão que estavam previstos para o uso em projetos que não teríamos como realizar por conta do momento e investimentos numa resposta à crise”, lembra. 

Maracás
Em Maracás, há 350 quilômetros de Salvador, vanádio é como se fosse ouro. Se duvidar, vale até mais. O movimentação econômica da cidade simplesmente triplicou após o início da produção do mineral. Em 2013, ano em que foi lançada a pedra fundamental da mina da Vanádio de Maracás, operada pela Largo Resources, o município gerava R$ 2 milhões em tributos estaduais, principalmente o ICMS, por ano. No ano passado, mesmo com a pandemia, o volume cresceu para R$  7,15 milhões, de acordo com dados da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). 

Após o início da produção de vanádio em Maracás, economia da cidade vem crescendo ano após ano (Foto: Ulisses Dumas/Divulgação)

Até 2013, a cidade com uma população estimada de aproximadamente 25 mil pessoas tinha um PIB de R$ 165 milhões, gerado principalmente pelo comércio e serviços e os salários gerados pela administração pública. Hoje, a indústria responde por 60% de um PIB total de R$ 822 milhões, de acordo com dados do IBGE. O setor de comércio e serviços também cresceu, mas passou a responder por 26% da economia maracaense. 

O PIB per capita – quando se divide o total de riquezas de um lugar pela quantidade de pessoas que vivem ali – passou de R$ 7.180,01 para R$ 39.669,93. No período, o volume total de salários e outras remunerações pagas na cidade dobrou, passando de um total de R$ R$ 34,9 milhões por mês para R$ 74,2 milhões. 

A história do empresário Carlos Alberto Mota, 49 anos de vida, 30 deles em Maracás, pode ajudar a dar vida aos números. Natural de Milagres, diz ser um filho adotivo da terra, com título de cidadão e tudo. “A mineração foi um divisor de águas. A cidade sempre foi pacata e hospitaleira, mas economia não andava”, lembra. Até que se iniciou uma movimentação para a construir uma mina. 

Carlos Alberto já ampliou pousada e pensa em criar mais leitos para atender demanda (Foto: Acervo pessoal)

Quase como Noé, que construiu uma arca no meio do deserto, lá vão Carlos e a esposa Rose investir na construção de um hotel. Pousada, mais precisamente. Nascia a Menina Bonita. “A gente se antecipou ao que podia acontecer. O povo da cidade me perguntava porque eu estava fazendo um negócio tão grande daquele jeito”, lembra. Eram 30 leitos na época. Um dos diretores da Largo disse a Carlos que a obra só tinha um defeito: ia ficar pequena. E não deu outra. 

“Hoje temos 42 leitos e eu ainda tenho necessidade de fazer uma ampliação. Me tornei corretor de imóveis também”, conta. Só no hotel trabalham 19 pessoas. Ao todo, Carlos e Rose respondem pelo sustento de 30 famílias direta ou indiretamente. “Nossa cidade tem um potencial grande graças a mina. Tudo o que se faz aqui se valoriza”, afirma.  

Segundo ele, a operação da Largo foi fundamental para que 2020 e este início de 2021 seja menos sofrido. “Meu hotel não fechou porque mineradora segurou como ponto de apoio para funcionários. A gente vê notícias de muitos empresários deste ramo quebrados. Eu acho que somos uma das poucas cidades que não tem sofrido tanto nessa área econômica”. 

Impacto local
Quem vê a Mineração Caraíba, produtora de cobre em Jaguarari, não faz ideia de que há bem pouco tempo a operação parecia estar em estágio final. Mas novos investimentos renovaram a expectativa de vida da produção lá. No ano passado, a produção cresceu em torno de 10% e a expectativa para 2021 e os próximos anos é alta.

“Tivemos um resultado muito bom em 2020, com a produção de 43 mil toneladas de metal. Neste ano agora, vamos pelo menos repetir este resultado e isso é muito bom para todos porque movimenta a economia, gera empregos e renda numa região que precisa muito”, destaca Manoel Valério, diretor da Mineração Caraíba. 

Com uma folha de pagamentos acima dos R$ 8 milhões por mês e uma elevada demanda por produtos e serviços da região, há quatro décadas a mineradora é um dos motores para o desenvolvimento da região Norte do estado. “São mais de 3 mil colaboradores com salários acima da média e que tem uma importância grande para o comércio”, ressalta. Em 2018, a participação da empresa nas receitas do município era de 30%. E o impacto não se restringe a Jaguarari, estende-se para cidades como Juazeiro e Curaçá, entre outras. 

A Largo Resources realizou compras em 2020 que somaram R$ 403,25 milhões. Quase tudo, 97%, no estado da Bahia. Somente em Maracás foram R$ 87,47 milhões. A empresa é canadense, o CEO dela, Paulo Misk, é mineiro, mas o coração da operação está aqui no estado. Esta é uma característica da mineração, explica o executivo da empresa, que é também o presidente do sindicato que representa as mineradoras no estado, o Sindimiba. A chamada rigidez locacional ajuda a criar uma conexão entre a atividade e o local onde está o minério. 

Segundo Paulo Misk, a perspectiva é que a mineração baiana continue a contribuir para o desenvolvimento da economia baiana. “O setor cresceu 20% nos últimos anos e a tendência é que este processo se mantenha”, avalia. Ele destaca investimentos que vem sendo feitos em pesquisas de novas áreas e a perspectiva de melhorias na infraestrutura, necessárias para a movimentação de minério. 

“Nossas empresas estão descobrindo novas reservas porque elas investem nisso. Tivemos o leilão da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), que vai ser concluída com um enorme benefício para a Bahia graças a uma mineradora, a Bamin. Vão concluir, criar um sistema logístico que vai trazer desenvolvimento para o estado”, destaca. 

No ano passado, a Largo definiu como prioridades cuidar não apenas dos seus colaboradores, como ajudar no que pudesse a comunidade, conta Paulo Misk. “Não fomos apenas nós quem fizemos isso,  foi uma iniciativa adotada pelas empresas do setor”, conta. “Levamos 2020 muito a sério, foi um ano de cuidar de pessoas e não só daquelas que trabalham com a gente”, lembra. 

Os resultados operacionais positivos, como a produção recorde de 11,8 mil toneladas de vanádio, foram uma consequência, diz Misk. A empresa mudou a estratégia comercial, passando a negociar diretamente a venda do produto. 

Além do destaque na quantidade de produto vendido, a Vanádio de Maracás se destacou pela eficiência no processo de produção, chamada no setor de recuperação. A unidade de Maracás alcançou um índice de 81,4% neste sentido, que é 4% acima da média mundial. “Quando iniciamos a operação era 72%”, lembra. 

Futuro
Um projeto da Largo Resources que está sendo desenvolvido em Boston, nos Estados Unidos, é uma das apostas da empresa para justificar uma nova ampliação da unidade de produção na Bahia. Hoje o vanádio é usado sobretudo na fabricação de aço e na indústria aeroespacial. A empresa está finalizando um projeto para a fabricação de baterias com capacidade de armazenar grandes quantidades de energia. Paulo Misk explica que os equipamentos serão do tamanho de dois contêineres e serão capazes de armazenar volumes significativos de energia, viabilizando por exemplo o uso da energia solar durante a noite ou a eólica, mesmo sem ventos. 

Segundo ele, a estrutura sólida tem uma duração de 25 anos, mas o líquido da bateria, basicamente o vanádio, dura para sempre. “Vamos apresentar uma solução que vem resolver um problema e tornar as energias limpas capazes de serem usadas globalmente 24 horas por dia”, projeta. 

A aplicação já existe há mais de dez anos. Não é uma ideia nova, mas nenhuma empresa conseguiu realmente desenvolver em larga escala por conta do preço do vanádio e da necessidade de ter garantia de fornecimento do produto. A Largo pode garantir a disponibilidade do vanádio e resolveu o problema do preço de maneira simples: vai alugar o eletrólito, no lugar de vendê-lo. “Somos uma empresa verticalizada e integrada na produção desta bateria. Hoje temos uma bateria em estágio de evolução que permite fornecer em larga escala. A ideia é começar a fornecer em 2022”, afirma. 

“Há dez anos atrás, o movimento global não era tão forte quanto é hoje. Há um compromisso dos Estados Unidos de ter energia sem emissão de carbono é 2035, o Reino Undo, na mesma pegada. E nós iremos oferecer uma alternativa”, conta.  

Além da perspectiva do aumento da produção na mina, Paulo Misk pretende trazer para a Bahia o desenvolvimento de um sistema portátil de purificação para ser usados nos locais onde a bateria será usada. “A unidade móvel de produção será feita no Brasil. Algumas coisas serão desenvolvidas na Bahia. O Cimatec nos ajuda com muita coisa de tecnologia”, exemplifica.

Ele diz ainda que a empresa projeta investir aproximadamente R$ 140 milhões numa nova planta em Maracás, para a produção da ilmenita, fonte do óxido de titânio. 

Tendência é crescer
Presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Antonio Carlos Tramm acredita que a tendência é que a mineração ganhe um papel cada vez mais relevante na transformação da realidade econômica baiana. “As empresas que já estão em atuação estão anunciando projetos de expansão e temos no horizonte o início de novas operações”, projeta. 
Tramm ressalta ainda que o resultado de 2020 foi possível por conta de uma “briga” da CBPM e do Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram) para que a atividade fosse incluída entre as essenciais durante a pandemia.

“O setor pôde trabalhar com tranquilidade. Acrescido a isso, o pessoal fez um grande esforço para que isso acontecesse com a proteção da saúde dos trabalhadores. Em todo esse processo, não teve um escândalo por morte causada por covid em áreas de mineração. Todo mundo tomou providências sérias neste negócio”, lembra. 

Outro ingrediente para a receita de sucesso foram os fatores macroeconômicos. O dólar está nas alturas, o que favorece quem vende para o exterior e torna mais atrativos os investimentos de empresas estrangeiras aqui no Brasil. Além disso, os preços das commodities minerais se mantiveram em alta, lembra Tramm.

“Os preços subiram, o dólar disparou. O consumo se manteve ativo no mundo e isso possibilitou que os investimentos previstos fossem mantidos”, lembra. 

Segundo o presidente da CBPM, o estado terá em breve novas operações na área de ouro, uma vez que um grupo inglês investiu cerca de R$ 500 milhões para produzir em um município baiano. Está havendo um processo de crescimento na produção de calcário, para indústria do cimento, complementa, fosfato para a produção de adubos, entre outros. 

Este ano, lembra Tramm, a Bamin deve produzir 1 milhão de toneladas de minério de ferro em Caetité e dentro de cinco anos este volume será ampliado para quase 20 milhões de toneladas, com a conclusão do primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, entre Caetité e Ilhéus.

“Há um panorama muito bom para mineração. Não é a toa que saímos da posição de quinto produtor nacional para o terceiro lugar. E vamos manter isso com tranquilidade”, acredita.  

Há ainda outros projetos no entorno da Fiol, em diferentes estágios de desenvolvimento, como o da Companhia Vale do Paramirim, do geólogo João Carlos Cavalcanti, que recentemente anunciou uma ampliação na pesquisa de seus ativos na Bahia. 

No Norte do estado, na região chamada de craton do São Francisco, a Colomy Iron já está concluindo os seus estudos e é apontada por Tramm como “uma segunda Bamin”. “A questão do escoamento vai se resolver porque o volume dela garante movimentação”, acredita. 

Nos últimos anos, a CBPM fez seis licitações de áreas novas, após um longo período sem realizar este tipo de oferta. A partir disso, foram assinados quatro novos contratos de concessão de áreas para pesquisas. É partir destes contratos que a imensa maioria dos projetos minerais baianos nascem. Este ano estão previstas cinco novas concessões. 

Este desempenho positivo da mineração baiana surpreendeu até quem vive do setor. O especialista em Direito Minerário, Guilherme Fonseca Lima, do escritório Fonseca Lima e Bastos, conta que os números de 2020 foram melhores do que se esperava. “Na Bahia, tivemos a retomada de minas que estavam paradas. Um exemplo é o caso do níquel”, lembra.

Para ele, a tendência em relação ao Cfem, os royalties do setor, continua a ser de crescimento nos próximos anos. “Temos uma vocação natural para a mineração porque o estado é abençoado com uma diversidade muito grande, sendo único em diversos tipos de minerais”, diz. 

Guilherme destaca ainda a qualidade do investimento que é feito pelas mineradoras. Ele explica que as empresas se preocupam muito com a chamada “licença social”, que tem relação com a maneira como a sociedade enxerga a atividade.

“Existe um conceito de licença social e na mineração tem a rigidez locacional, ou seja, as empresas precisam estar onde está o minério. Por isso muitas delas buscam apresentar projetos para mostrar a sua importância”, explica.