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Efeito vacina: cai ocupação de UTIs por idosos acima de 70 anos na Bahia 

O secretário de saúde do estado, Fábio Villas-Boas, informou nesta segunda-feira (19) que os primeiros sinais consistentes dos efeitos da vacinação começam a ficar evidentes. Há uma queda sustentada e significativa no número de internações em UTI de pacientes com mais de 70 anos. Nas últimas quatro semanas, o número de idosos com mais de 80 anos em leitos de UTI caiu 42%, de 62 internações por 100 mil habitantes para apenas 36. Já nos idosos de 70 a 79 anos, a redução é de 20%: de 49 internações por 100 mil habitantes para 39.  

“Há uma queda sustentada do número de solicitações de internamento de idosos acima de 70 anos, fruto da vacinação”, destacou o secretário. Até às 12h dessa segunda-feira (19), 636 mil baianos já haviam tomado as duas doses da vacina contra a covid. Diretora do Hospital Instituto Couto Maia (Icom), a médica Ceuci Nunes lembra que a pessoa só é considerada imunizada após o vigésimo dia de segunda dose tomada.  

“Não tem como ter uma redução maior da que houve, pois a vacina tem duas doses. Quem tomou a de Oxford, cujo prazo é mais longo, de até 90 dias, ainda pode estar esperando a segunda aplicação”, diz.  

Essa redução no número de idosos internados não é aplicada para os que tem 60 a 69 anos. Nas últimas quatro semanas, o número de pacientes nessa faixa etária praticamente não variou. Eram 30 internações por 100 mil habitantes antes e agora são 28. Em Salvador, por exemplo, a vacinação dos idosos com 69 anos só começou a partir do dia 25 de março. Eles ainda sequer tomaram a segunda dose. 

O mesmo fenômeno de não redução ocorre nos números de internação das demais faixas etárias, que entram somente na fase 3 de vacinação, aquela que engloba indivíduos com condições de saúde que estão relacionadas a casos mais graves de Covid-19, independe da idade. Nem todas as cidades baianas entraram nessa fase. Salvador, por exemplo, ainda não entrou.  

Mesmo assim, a Bahia já ultrapassou a marca de 2 milhões de pessoas que tomaram a primeira dose da vacina, o que equivale a 13,8% da população. Para Vilas-Boas, isso é fruto do planejamento público na aquisição de insumos, do esforço logístico na distribuição e do empenho dos municípios em imunizar rapidamente a população. 

 “Em dezembro do ano passado adquirimos 19,8 milhões de seringas e agulhas e já no mês seguinte tínhamos disponíveis 10 milhões para iniciar a imunização, só aguardando a chegada das vacinas. Essa era uma realidade completamente diferente dos outros estados, que não se planejaram adequadamente e não tinham estoque”, afirma Vilas-Boas. 

O último lote de vacinas recebido pela Bahia foi 396 mil doses na última sexta-feira (16). O CORREIO perguntou ao Ministério da Saúde quando teremos o envio de novo lote, mas não obteve retorno até o fechamento do texto. O governo estadual classifica o cenário como imprevisível. Para lidar com isso, foi montado uma operação logística que distribui as doses para os 417 municípios em até 24 horas, a partir da utilização de aviões, helicópteros, caminhões e caminhonetes. 

Para acelerar ainda mais a vacinação, o estado adquiriu 9,7 milhões de doses da Sputnik V, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não emitiu autorização para importação da vacina russa.

*Com supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro