Esporte

Ex-vice-presidente do Vitória retira apoio a Paulo Carneiro

Manoel Matos, ex-vice-presidente do Vitória

Ex-vice-presidente do Vitória, Manoel Matos retirou o apoio prestado ao atual presidente do clube, Paulo Carneiro. O anúncio foi feito através de carta, publicada na quarta-feira (3), na qual não economizou críticas ao dirigente.  

“Assistimos ao longo do ano uma comunicação personalista do clube centrada na figura do presidente, desagradáveis manifestações de total desequilíbrio emocional nas redes sociais e um processo de gestão que vem sendo conduzido com diretrizes absolutamente antiquadas e distantes das que entendo serem adequadas para o bem administrativo, financeiro e econômico da instituição”, diz Manoel Matos, em um trecho do comunicado.

Paulo Carneiro foi eleito em 2019 e tem mandato até o fim de 2022. Nas primeiras duas temporadas à frente do clube, ele não conseguiu alcançar o principal objetivo, que é levar o Vitória de volta à Série A do Campeonato Brasileiro. O clube lutou contra o rebaixamento até a penúltima rodada das duas últimas edições da Série B. O anúncio de Manoel Matos ocorreu no mesmo dia em que o atual vice-presidente rubro-negro, Luiz Henrique Viana, pediu licença do cargo.

Confira na íntegra a carta escrita por Manoel Matos:

“Como é do conhecimento de todos, em 2019, meu nome figurou como potencial candidato a presidência do Esporte Cube Vitória, posição essa que – a despeito de inúmeros pedidos de torcedores e propostas de adesão de outros candidatos inscritos, declinei, não sem antes tentar unir todos os candidatos em prol de um único projeto.

Já naquela oportunidade, recusei a oferta de cargos na gestão, me colocando, entretanto, à disposição para contribuir, coisa que sempre fiz e farei, sempre que solicitado, por qualquer presidente do EC Vitória.

A razão para minha recusa a candidatura é que eu entendia (como ainda entendo) que o nosso clube somente será forte quando houver união, profissionalização, transparência e ampla participação.

Esse foi o compromisso assumido pelo atual Presidente, Paulo Carneiro, a mim e a todos seus apoiadores, inclusive aos ex-presidentes Alexi Portela e Ademar Lemos, pessoas com inegáveis serviços prestados e que, juntamente com outros grandes rubro-negros, emprestaram sua credibilidade ao atual projeto, muitos, inclusive, com algum sacrifício pessoal.

Passada a eleição e iniciado a gestão propriamente dita, durante aproximadamente dois meses, mergulhei no diagnóstico administrativo e financeiro do clube, apoiando o Vice-Presidente na adoção de difíceis medidas de redução de custo e realinhamento orçamentário (ante a situação de falência deixada). A ideia inicial era deixar o presidente livre para atuar no futebol, já que o time encontrava-se lutando para sobreviver na Série B/2019.

Passado esse primeiro período, conforme informei previamente, mantive-me a disposição para atuar em situações pontuais. Assim aconteceu, estritamente na resolução de situações administrativas, em especial nos anos de 2019 e 2020, destinadas a redução de passivos e viabilização de receitas.

No futebol, entretanto, posso dizer que jamais foi dada abertura para participação, nem a mim e nem a qualquer outro apoiador, muito pelo contrário!

Apesar de discordar dessa atitude exclusivista do conhecimento concentrado em uma única pessoa, como sócio e conselheiro respeitei a legitimidade do Presidente eleito.

Restou-me apenas torcer apaixonadamente por nosso êxito e assim permanecerei, todas as vezes que nosso time entrar em campo, independentemente das escolhas de elenco e de técnico.

Ocorre, entretanto, que para além das questões esportivas, amplamente reprovadas pelo torcedor, mostrando a total ausência de qualquer planejamento, onde jogadores sem quaisquer condições técnicas foram contratados a esmo, os erros se propagam em toda parte. Assistimos ao longo do ano uma comunicação personalista do clube centrada na figura do presidente, desagradáveis manifestações de total desequilíbrio emocional nas redes sociais e um processo de gestão que vem sendo conduzido com diretrizes absolutamente antiquadas e distantes das que entendo serem adequadas para o bem administrativo, financeiro e econômico da instituição.

Assim sendo, surpreendido em razão de recentes decisões administrativas tomadas do clube, que considero altamente danosas à instituição, pessoalmente informei aos atuais gestores a minha discordância e, não restando outra alternativa, a consequente RETIRADA DE APOIO A ATUAL DIRETORIA, posição essa que a torno pública em razão do respeito aos rubro-negros para os quais pedi que confiassem nesse projeto que hoje é despido de qualquer credibilidade.

Aproveito mais uma vez para registrar que, a despeito dessa posição pessoal, continuo a ter a mais respeitosa convivência com todos da instituição e distinta consideração com os ex-presidentes Ademar Lemos e Alexi Portela, desejando sorte aos que ainda tentam, ao seu modo, furar a gestão personalista do atual presidente nas tomadas de decisão fundamentais ao clube e, até mesmo, a manutenção de sua existência.

Manoel Matos
Sócio-Conselheiro Vitalício”