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Festa de Iemanjá com restrições: confira como fica a celebração em meio à pandemia

A tradicional cena de uma multidão depositando flores no mar do Rio Vermelho e milhares de pessoas pelas ruas do bairro não pode se repetir no dia de Iemanjá de 2021, comemorado na próxima terça-feira (2). A pandemia do coronavírus impôs restrições a essa que é uma das maiores festas populares de Salvador. Até o presente deste ano, que será mais modesto e sem grandes estruturas, vai ser levado ao mar mais cedo, às 8h.

Uma das principais mudanças para esse ano é que os acessos à praia do bairro serão interditados, no trecho que vai do Buracão ao restaurante Sukiyaki, a partir da meia-noite da segunda (1º) até meia-noite de quarta-feira (3) para evitar a aglomeração de pessoas que desejam colocar flores e presentes para a Rainha do Mar.

Para quem não pode deixar de levar presentes ao mar, a indicação da prefeitura é que a entrega seja feita em outras praias da capital. Desde pequena, a estudante Nathália Teles, 23 anos, tem a tradição de depositar uma flor nas águas do Rio Vermelho no Dia de Iemanjá, neste ano, ela deve fazer o ritual em outro ponto da orla.

“Não abro mão de jogar minha flor para Iemanjá e devo fazer isso esse ano em outro lugar. Eu acho a festa do 2 de fevereiro a mais linda de Salvador, especialmente, por reverenciar uma divindade que tem raízes africanas. A beleza da comemoração é ver as pessoas fazendo seus rituais próprios”, comenta a jovem, que há cerca de 2 anos também vai para a parte profana da festa com os amigos.

Para ela, as restrições trazem uma nostalgia das festas de anos anteriores, mas a estudante compreende que esse não é o momento de permitir aglomerações. A jornalista Lara Araújo, 23, também fica saudosa por não poder manter a tradição de acompanhar a alvorada no dia de Iemanjá.

“Eu não fico muito para a parte da tarde, que tem mais festa e cerveja mesmo. Eu sempre acordo cedão, quando ainda está escuro, para acompanhar a alvorada. Essa celebração religiosa é a parte mais bonita da festa. Sei que as restrições são necessárias e espero que a gente possa celebrar da forma tradicional no ano que vem”, diz Lara. Ela ainda não sabe como vai comemorar a data neste ano.

Francielle vai depositar seu presente na praia do Farol da Barra em 2021 (Foto: Vinicius Nascimento/CORREIO)

A estudante de psicologia Franciele Luz, 21 anos, também une o sagrado ao profano, mas vai ter que deixar parte da tradição iniciada em 2018 de lado em 2021. A ideia é apenas ir ao Farol da Barra para depositar sua oferenda no dia 2.

“Geralmente, eu chego no Rio Vermelho muito cedo, deixo minha oferenda no mar e vou para a festa. No ano passado, eu passei a virada do dia 1º para o dia 2 no bairro. Pra mim, a Festa de Iemanjá é uma das melhores festas de largo que existem. Ela é realmente muito bonita e dá visibilidade para as religiões de matriz africana, apesar da existência de alguns desencontros como Iemanjá ser retratada como uma branca mesmo não sendo branca”, comenta a jovem.

Os devotos também não poderão ver a oferenda principal, que sairá do Dique do Tororó e não será exposta. O presente deve ser depositado no oceano assim que chegar ao Rio Vermelho, não por volta das 15h como acontece tradicionalmente.

Em 2021, as festas no Rio Vermelho também não devem acontecer. O decreto estadual que suspende shows e festas, públicas ou privadas, em toda a Bahia foi estendido até 7 de fevereiro de 2021. Com isso, no dia de Iemanjá, estes eventos ainda não poderão ocorrer independentemente do número de participantes.

Os bares e restaurantes do bairro também só podem abrir a partir das 19h no dia 2. Já em 1º de fevereiro, os espaços podem funcionar de acordo com o protocolo setorial para o setor das 11h às 0h.

No dia 2 de fevereiro, todos os depósitos de bebidas do Rio Vermelho não poderão funcionar e será suspensa a venda de bebidas alcoólicas em lojas de conveniências dos postos de combustível, delicatessens, padarias e similares.

Os food trucks, o comércio informal, os ambulantes e os carros de som serão proibidos no bairro no dia da Festa de Iemanjá. Esse ano, o trânsito de veículos estará liberado, sem barreiras da Transalvador.

Já os comércios e serviços essenciais estarão abertos normalmente, a exemplo de supermercados, padarias, açougues, farmácias, agências bancárias e lotéricas, estabelecimentos que funcionam em regime de delivery (sem retirada no local), estabelecimentos de saúde e clínicas veterinárias. Além disso, os pescadores do Rio Vermelho poderão exercer atividade de pesca e venda de mercadorias sem restrições.

Confira o que mudou:

  • O presente deste ano será mais modesto, sem grandes estruturas como acontece todos os anos;
  • Não haverá exposição, o presente será depositado no mar assim que chegar ao Rio Vermelho;
  • Esse ano, a entrega do presente será às 8h, e não por volta das 15h como acontece tradicionalmente;
  • Todos os depósitos de bebidas do Rio Vermelho não poderão funcionar no dia 2 de fevereiro;
  • Bares e restaurantes terão que passar o dia fechados, e só poderão abrir a partir das 19h;
  • Food truck e comércio informal estará proibido;
  • A suspensão de venda de bebidas alcoólicas vale também para as lojas de conveniências dos postos de combustível;
  • As praias do trecho que vai do Buracão até a região do Restaurante Sukiyaki estarão fechadas a partir da meia-noite de segunda (1º) até meia-noite de quarta-feira (3).
  • Os comércios e serviços essenciais estão autorizados a funcionar;
  • Esse ano, o trânsito de veículos estará liberado, sem barreiras da Transalvador;
  • Festas e shows estão proibidos independente do número de participantes.

*Com a orientação da subchefe de reportagem Monique Lobo