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Festa de Iemanjá começa com pouco movimento nas ruas

As águas já previam que a festa de Iemanjá não teria o mesmo movimento como nos outros anos. Além da pandemia do novo coronavírus, a prefeitura de Salvador impôs uma série de medidas restritivas para evitar aglomerações na tão consagrada festa da Rainha do Mar. A muvuca na areia, a batucada dos atabaques e as flores no mar não puderam acontecer em 2021 na praia do Rio Vermelho. O respeito aos protocolos sanitários foi tanto que quase ninguém saiu de casa. Ate às 4h30, só se via às ruas funcionários da prefeitura e viaturas da Polícia Militar (PM). 

O tradicional presente para a orixá Janaína, como também é conhecida, saiu do Terreiro Ilê Axé Awa Ngy, no Engenho Velho da Federação, por volta das 00h30 e chegou ao Dique do Tororó em torno de 1h da manhã. O responsável pela confecção este ano foi o Babalorixá Pai Ducho de Ogum. Todos os anos, a colônia de pescadores do Rio Vermelho escolhe um terreiro diferente para fazer o presente. 

Movimento foi mais tranquilo no Dique do Tororó neste ano
(Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

O pedreiro Ananias, 54 anos, disse que a movimentação no Dique foi bem fraca. Ele estava no momento em que os fiéis entregaram a oferenda à Oxum, que acontece antes da entrega do presente à Iemanjá. “A movimentação foi fraquinha esse ano. Quem veio trazer o presente, veio mais cedo, para evitar aglomeração. Teve uma batucadazinha, foi maneiro, mas não demorou muito não”, narra Ananias. 

Tapumes interditam acesso às praias no Rio Vermelho
(Foto: Marcela Villar/CORREIO)

Já no Rio Vermelho, o primeiro a chegar foi o aposentado Isaías Conceição da Silva, 61 anos. Desde os 18 anos que ele não deixa de entregar as flores à orixá. Esse ano, não foi diferente. Mesmo com as barreiras físicas que não permitiam as pessoas irem à areia, ele não deixou de trazer as flores brancas. Com a promessa realizada, ele só veio agradecer este ano. “Iemanjá e Oxum já me deram tudo que eu queria, graças a Deus. Só vim agradecer mesmo. Todo ano eu venho, só não quando estou doente”, conta Silva.

*com supervisão da subchefe de reportagem Monique Lobo