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Festival de street art vai colorir Salvador, Santo Amaro e Castro Alves

Projeto começa na comunidade da Gamboa de Baixo, nesta sexta (29)

A street art, claro, é feita e vista nas ruas. Mas, em tempos de pandemia, ela pode chegar até as pessoas virtualmente. É essa a intenção do Festa – Festival de Street Art da Bahia, que começa hoje e segue até o dia 14 de fevereiro. O evento começa em Salvador, neste fim de semana, e depois será realizado em Santo Amaro e Castro Alves. Nas três cidades, artistas convidados deixarão suas criações em paredes e muros. Depois, o resultado poderá ser apreciado virtualmente nas redes sociais (@festastreetart) e no site festastreetart.com.br.

“Ao deslocar o museu a céu aberto para o espaço virtual, ultrapassamos as formas de apagamentos e silenciamentos das múltiplas formatações sociais, oportunizando o acesso de um público amplo e diverso às potencialidades criativas das comunidades periféricas e dos artistas de rua, que sofrem preconceitos sociais e de raça”, diz Elaine Hazin, diretora geral do Festa.

O projeto tem curadoria de três grafiteiros nascidos na comunidade do Solar do Unhão (Gamboa de Baixo, ao lado do Museu de Arte da Bahia): Bigod, Prisk e Júlio Augusto, que formam o Musas – Museu de Street Art de Salvador, coletivo artístico que é um dos realizadores do evento, junto com a Via Press Comunicação.

O Musas criou na Gamboa de Baixo uma espécie de museu ao ar livre, que se tornou uma atração turística complementar ao Solar do Unhão. Muita gente que vai ao Jazz no MAM ou ao Museu de Arte Moderna aproveita para conhecer um pouco da arte contemporânea, entre os muros da comunidade vizinha.

Júlio, Prisk e Bigod são curadores do projeto

Prisk, um dos fundadores do Musas, reconhece que o grafite já foi marginalizado e visto de maneira preconceituosa, mas acredita que isso está mudando: “O grafite transforma as coisas de aspecto cinza em beleza, em arte. Hoje, em Salvador, a gente consegue pintar porque as pessoas entenderam que o grafite faz parte da sociedade, da paisagem urbana”.

De hoje até domingo, cinco artistas convidados, que vivem em outros bairros, vão levar suas cores para os arcos do Solar: Samuca, Tárcio, Monike, Sistak e Patek. Nesses três dias, os moradores da comunidade receberão álcool em gel e máscaras, para se proteger do coronavírus. Os grafites farão referência a Iemanjá.

A Gamboa de Baixo costuma realizar anualmente, no último domingo de janeiro, a Festa da Sereia, em que oferecem presentes ecológicos à rainha do mar: em vez de bonecas e espelhos, somente comida e flores. Mas, desta vez a celebração será restrita, somente com a comunidade local, sem a presença de visitantes de outros locais.

Prisk diz que o grafite contribuiu para mudar a vida da comunidade: “Ajuda a movimentar o turismo aqui. Às vezes, vêm grafiteiros de outros países ver nossos trabalhos e também grafitam aqui, que virou uma galeria de grafite”.

Nos dias 6 e 7 de fevereiro, outros cinco artistas convidados vão deixar suas obras na Comunidade Quilombola de São Brás, em Santo Amaro: Tiana, Reiv, Ananda, Quel e Sid. “Os grafites serão sobre a história do quilombo, os negros, os rastafáris, marisqueiros e pescadores que vivem ali”, diz Prisk.

Nos dias 13 e 14, será a vez de Castro Alves, onde os grafiteiros vão se inspirar na lavoura e na roça. Mônica, Sah, Singa, Octa, Cris, Sagaz, Baga, DK, Drico e Questão Almada vão dar novas cores à cidade.

Grafiteiras
Metade dos artistas que participam do Festa é formada por mulheres e isso foi uma determinação do projeto original. “O grafite tem crescido entre mulheres, então é justo que pelo menos 50% dos nossos convidados sejam grafiteiras”, afirma Elaine Hazin.

Prisk reforça a importância da participação das mulheres no grafite: “Temos uma ligação com as meninas e é importante ter a força feminina nesse movimento. Aprendemos muito com elas e tem muitas mulheres talentosas”.

Além das ações sociais e do grafite, o Festa vai realizar oficinas com os integrantes do Musas, no dia 5 de fevereiro. Prisk vai falar sobre o wild style; Bigod, sobre luz e sombra e Júlio, sobre a ocupação de território pelo grafite. Essas oficinas serão tema ainda de um bate-papo, que acontecerá no dia 9 de fevereiro, no site do projeto, com 100 vagas oferecidas e inscrições gratuitas até o dia 9. A programação estará no site festastreetart.com.br. Tudo é gratuito.

De 23 a 25 de fevereiro, acontecem mais três encontros virtuais. Os temas dos encontros são Grafite x Mobilização Social; Índios e Ancestralidade, e Grafite e a Luta Feminina.

Museu virtual
O site do Festa vai abrigar uma exposição virtual, onde estará todo o acervo do museu a céu aberto. Também haverá vídeos com depoimentos dos moradores da comunidade do Solar do Unhão e mais de 30 obras apresentadas, expostas nas paredes das casas e muros das ruas da localidade, em um ambiente virtual interativo. Haverá ainda um áudio-guia para possibilitar a acessibilidade ao conteúdo.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal. A realização é do MUSAS (Museu de Street Art de Salvador) e da Via Press Comunicação.