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Gerson se ausenta e não presta depoimento sobre caso de racismo de Índio Ramírez

O meia Gerson, do Flamengo, não compareceu à sede do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) — localizada no Centro do Rio de Janeiro — para prestar depoimento na manhã desta quarta-feira (3) sobre a acusação de injúria racial por parte de Índio Ramírez, jogador do Bahia.

Além de Gerson, que supostamente foi o alvo das acusações, os atletas flamenguistas Bruno Henrique e Natan, convocados como testemunhas do caso, também não compareceram ao STJD. O Flamengo justificou que seus jogadores não poderiam prestar depoimentos pois estão concentrados para a partida de quinta-feira (4) contra o Vasco.

O próprio Flamengo escolheu a data dos depoimentos, concordando em marcá-los para essa quarta-feira. O clube carioca posteriormente tentou adiar os depoimentos, mas não conseguiu, pois tanto Índio Ramírez quanto Mano Menezes, ex-técnico do Bahia, também solicitaram o adiamento e receberam recusa. 

No último dia 25 de janeiro, o tribunal ouviu os depoimentos do trio de arbitragem da partida entre Bahia e Flamengo, além do delegado do jogo, Marcelo Vianna. O prazo para o fim do inquérito é até o dia 11 de fevereiro. A Procuradoria do STJD irá analisar uma possível infração por parte do Flamengo, pela ausência dos jogadores à audiência.

Relembre o caso
No épico 4 a 3 do Flamengo sobre o Bahia, em dezembro do ano passado, Gerson acusou o colombiano Ramírez de ter falado “cala boca, negro!” do jogador do Bahia. No momento do suposto ocorrido, houve uma grande discussão no campo, que resultou também em acusação na esfera criminal, investigada pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

“O Ramirez, quando tomamos acho que o segundo gol, o Bruno fingiu que ia chutar a bola e ele reclamou com o Bruno. Eu fui falar com ele e ele falou bem assim para mim: “Cala a boca, negro”. Eu nunca falei nada disso, porque nunca sofri. Mas isso aí eu não aceito”, acusou Gerson em entrevista pós-jogo.

“Em nenhum fui racista com nenhum dos jogadores, nem com Gerson, nem com qualquer outra pessoa. Acontece que quando fizemos o segundo gol botamos a bola no meio do campo para sair rapidamente e o Bruno Henrique finge e eu arranco a correr e eu digo a Bruno que” jogue rápido, por favor”, “vamos irmão, jogar sério”. Aí ele joga a bola para trás e Gerson, não sei o que me fala, mas eu não compreendo muito o português. Não compreendi o que me disse e falei “joga rápido, irmão”, se defendeu Ramírez.