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Jéssica Ellen reverencia entidades da Umbanda

Jéssica Ellen lança seu segundo trabalho musical

Há mais ou menos um ano, o Brasil acompanhava a atriz Jéssica Ellen na novela Amor de Mãe, na pele de Camila, uma das personagens mais intensas da trama interrompida pela pandemia.  Como todo mundo, ela ficou meio perdida, mas se agarrou às suas crenças: “A minha fé foi uma das coisas que me salvou em 2020”, afirma Jéssica, que idealizou o produziu na quarentena o EP Macumbeira, lançado na última quarta-feira (20) nas plataformas digitais.

A data foi escolhida por ser dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, cidade onde a Umbanda tem uma presença marcante. Poderia ser também uma referência ao Dia do Combate à Intolerância Religiosa, na quinta, já que o álbum homenageia, com beleza e poesia, algumas das entidades mais cultuadas na Umbanda como Pombagira, Jurema, Preto Velho e Cigana.

Filha de santo do terreiro Ilê Axé Onixegum, no Rio, Jéssica diz que acredita no respeito às diferenças e no poder do diálogo. Por isso, recorreu a alguns amigos para fechar a pesquisa bebeu diretamente no  legado ancestral da  religião. “A umbanda foi o primeiro contato que tive, ainda criança, com alguma espiritualidade, por intermédio de meu falecido avô”, conta Ellen.

Com isso, ela dialoga também com o álbum Sankofa (2018), sua primeiro trabalho, que homenageava o candomblé. “Quero cantar sobre outros coisas, mas agora achei importante falar dos encantados da Umbanda, que falam de energia”, ensina. Macumbeira traz oito faixas, três delas inéditas, incluindo a que da título ao trabalho, lançada em  20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

Agora, canta da energia abre-caminhos da Pombagira (num pout pourri que fala de três tipos da entidade) à energia infantil dos Erês. O EP conta com participações especiais de Pretinho da Serrinha, Zezé Motta e da sua irmã caçula, Enjoyce. “Sou muito fã Zezé , tínhamos nos conhecido na gravação de um clipe de Milton Nascimento. Ela foi muito solícita, uma querida”. Com Zezé, ela canta Pai Benedito, e com a irmã, Juremeira. Já Pretinho da Serrinha paraticipa de Pombagira. 

“São muitas entidades, não daria para homenagear todas apenas em um álbum, então escolhi algumas personalidades que são muito fortes e cada uma é uma homenagem” explica.

Enquanto segue na divulgação de Macumbeira, Jéssica  espera com expectativa a exibição da parte final de Amor de Mãe. Conta que foi “desafiador e esquisito” voltar aos estúdios para finalizar a novela. “Gravamos em pequenos grupos, então só sei, por exemplo, o final do meu núcleo”, despista Jéssica. 

Ela acredita que na retomada, prevista para o primeiro trimestre, a Globo deve fazer um resumo da história para refrescar nossa memória. Além da novela, ela teve o lançamento do filme Três Verões interrompido pela pandemia. O filme teve pré-estreia no Rio um dia antes da quarentena ser decretada. 
“ Acho 2021 ainda será um ano difícil, como foi 2020, mas também foi um ano que me fez refletir, me fez voltar para dentro, me fez reafirmar os valores de importância da minha família, do meu relacionamento, das pessoas que eu amo, da minha fé”, afirma. 

Vale (muito)  a pena ouvir  de novo 

Elza Soares – Lançado em 1999, o álbum Carioca da Gema (Ao Vivo) chega às plataformas digitais, pela gravadora Deck. No registro, Elza Soares interpreta sucessos como Trem das Onze (Adoniran Barbosa), Chove Chuva (Jorge Ben) e faz uma homenagem a Wilson Simonal cantando Meu Limão Meu Limoeiro (Carlos Imperial/ José Carlos Burle”) e “Mamãe Passou Açúcar em Mim” (Bill César). Também gravou uma versão jazzística do Hino Nacional. “Depois de receber o título de Cantora do Milênio, pela BBC de Londres, em fevereiro de 1999, eu estava pronta pra mostrar pra todo mundo meu primeiro disco ao vivo da carreira”, recorda Elza sobre o trabalho gravado no teatro João Caetano.

 

Zezé Motta  – De 1975 a 79, Zezé Motta lançou três LP’s. O segundo foi Negritude (Warner Music), que agora chega às plataformas digitais. No trabalho, ela gravou um repertório especial de samba, com canções de compositores como João de Aquino, Aldir Blanc, João Bosco, Wilson Moreira e Ney Lopes, Rosinha de Valença  Paulo Cesar Feital e Tunai. Zezé conta que, a princípio, resistiu a gravar samba, pois não queria ser rotulada como sambista, só pelo fato de ser uma artista negra. “Eu estava numa fase de militância mais radical e criei essa resistência”, diz Zezé, que estreou com um disco de MPB (gravando Rita Lee e Caetano, entre outros), antes de se jogar no samba.

  
 

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