Justiça

Justiça determina prisão de marido e amante suspeitos de matar bancária na Paralela

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou a prisão preventiva dos dois suspeitos pela morte de um bancária em abril de 2019, em um apartamento na Paralela. Os acusados são o tabelião Eden Márcio Lima de Almeida, 44 anos, marido da vítima, e a estudante Anna Carolina Lacerda, 22, que era amante dele. Até agora, eles não foram presos, segundo a Polícia Civil. Selma Regina Vieira da Silva Almeida, de 42 anos, foi espancada dentro do apartamento em que morava e morreu três dias depois no hospital.  

A juíza da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Andreia Sarmento Neto, aceitou também a denúncia da promotoria e tornou os dois acusados réus no processo. A defesa dos dois nega as acusações.

No dia do crime, Eden e Anna Carolina teriam ido a uma festa, consumido álcool e outros entorpecentes, e depois voltaram para o apartamento em que o bancário morava com a família, na Paralela. Lá, eles discutiram com Selma, que foi atacada pelos dois, diz a acusação. Ela foi espancada.

O promotor Davi Galo, responsável pelo caso, comemorou a decisão da Justiça e falou da demora na investigação. “Esse inquérito ficou esquecido. (…) O que aconteceu? Essa moça morreu, sofreu espancamentos, o delegado tomou conhecimento e não providenciou nada. Atendeu mal aos familiares das vítimas. Até que os familiares da vítima me procuraram. Eu requisitei que ele me mandasse o inquérito. Durante seis meses ele segurou. Determinei ao delegado-chefe que determinasse a ele que me mandasse. Só aí veio para minhas mãos. O delegado não providenciou uma imagem, não isolou o local. Tem coisas muito estranhas nesse processo”, diz. “Nesse meio tempo os acusados saíram apagando todos os vestígios de provas que tinham. Só que não existe crime perfeito. Não existe nada que não deixe rastro”, afirma.

Quando o caso seguiu para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a investigação começou a andar, diz, com um “trabalho de formiguinha” sendo feito. O promotor conta que os vizinhos do apartamento ouviram gritos no dia do crime. “Eles tinham um triângulo amoroso altamente conturbado. Na noite do crime, ouviram-se muitos gritos dela vindo do apartamento. Zoada como se ela estivesse sendo trancada, objetos quebrando”, diz. “Tenho convicção total que vamos conseguir a condenação”, acrescenta.

Mesmo espancada, Selma conseguiu fugir da casa. Ela foi até a garagem, pegou o carro e foi dirigindo até um posto de gasolina. “Já estava com traumatismo craniano, mas o instinto de sobreviência… Ela anda mais ou menos por 1 km, para num posto e chama um frentista pedindo socorro”, diz. Uma ligação foi feita para um parente da bancária, mas quando ele chegou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estava no local. Ela foi levada ao Hospital São Rafael, mas morreu dias depois. O laudo apontou lesões na cabeça, nádegas, coxas, joelhos, braços e rosto.

A Corregedoria da Polícia Civil (Correpol) investiga a conduta administrativa da 12ª Delegacia (Itapuã) no caso. “Os detalhes e desdobramentos não estão sendo divulgados, para evitar interferências no andamento das investigações”, diz a corporação em nota.

Triângulo amoroso
Segundo o promotor, o casal fazia swing e conheceu Anna Carolina porque ela fazia programas. Logo, se envolveram em um triângulo amoroso. “Embora a família diga que por gostar dele ela se submetia a essas coisas”, explica o promotor. Familiares relataram que Selma temia o marido e vivia sofrendo constantes agressões.

A bancária foi casada por 24 anos com Eden e juntos eles tiveram duas filhas. As crianças não estavam em casa no dia do crime e agora vivem com os acusados. O promotor pediu que o Conselho Tutelar solicite que a guarda delas seja transferida para os avós maternos. “Estamos começando a ver a Justiça ser feita”, acredita.

Em um vídeo que divulgou após a acusação, Anna Carolina negou o crime e disse que seu erro foi “amar demais uma mulher”. “Falam que assassinei minha melhor amiga, o amor da minha vida, e isso não existe. Ela gostava de se relacionar com mulher, ela nunca foi obrigada a fazer nada, porque ela amava fazer isso”, diz. “Ela gostava de sair, de usar droga, de ficar com mulher… Ela gostava de tudo isso. Eu nunca na minha vida faria mal a uma pessoa como ela. Eu amava ela e ela também me amava. A gente se amava e tinha uma relação, que a gente era um casal. Tenho provas disso”, diz. Ela não fala do crime em si e se refere à morte de Sandra como uma “fatalidade”.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos acusados.