Saúde

Lima retoma quarentena para conter avanço da segunda onda da pandemia


Presidente do Peru anunciou auxílio no valor equivalente a R$ 900 a mais de 4 milhões de famílias. Lima, capital do Peru, em quarentena obrigatória neste domingo (31) para conter o novo coronavírus
Ernesto Benavides/AFP
Os 10 milhões de habitantes de Lima, capital do Peru, acordaram neste domingo (31) sob uma quarentena obrigatória para conter a pandemia de coronavírus, que infectou 120 mil de pessoas no país neste mês.
O confinamento, que vai durar até 14 de fevereiro, inclui a cidade portuária de Callao, e outras oito regiões do litoral, planalto andino e selva amazônica. Esses locais sofrem, desde o final de dezembro, o maior impacto da segunda onda.
“A cidadania respondeu à quarentena. Serão 15 dias difíceis para algumas pessoas”, disse o ministro do Interior, José Elice, ao canal Latina, fazendo um balanço das primeiras horas de confinamento.
Apenas ônibus e táxis circulavam pelas ruas de Lima, pois os veículos particulares precisam de autorização. No entanto, havia pedestres, pois as pessoas podem sair uma hora por dia para comprar comida ou fazer exercícios.
Militares orientam motorista de táxi em Lima, capital do Peru, neste domingo (31)
Ernesto Benavides/AFP
A quarentena — que se soma ao toque de recolher noturno em vigor desde março — obriga metade dos 33 milhões de peruanos a permanecer em suas casas, na tentativa de conter o contágio da Covid-19, que está aumentando sem pausa desde o última semana de dezembro após ter diminuído gradativamente desde agosto.
Entre março e junho de 2020, o Peru passou por uma quarentena nacional de mais de 100 dias que mergulhou o país na recessão, onde 70% dos trabalhadores são informais. Por isso, o presidente interino do país, Francisco Sagasti, anunciou um auxílio de 600 soles — equivalente a R$ 900 — para 4,3 milhões de famílias.
“A redução da atividade econômica [durante o novo confinamento] vai desacelerar o crescimento”, admitiu Sagasti.
Desta vez o transporte público, a construção, a mineração, bancos e o comércio de bens essenciais como farmácias e mercados continuarão a operar nas regiões confinadas.
“Essa quarentena é diferente, é focada, permite o funcionamento de atividades essenciais […] e cuida da saúde física e mental das pessoas”, disse Sagasti.
Escassez de oxigênio
Filas de cilindros de oxigênio a serem abastecidos em Huanuco, no Peru, em foto de 26 de janeiro
Oscar Rosario/AFP
As novas infecções triplicaram este mês, de uma média de 1.688 por dia na última semana de dezembro para 5.668 nesta semana, de acordo com dados oficiais.
O número de mortos passou de 51 por dia, em média, na última semana de dezembro, para 180 nesta semana. Os hospitais peruanos começam a saturar, com 11.715 infectados. Em meados de dezembro, eram 3.900. Dos pacientes internados, 1.859 permanecem em terapia intensiva com ventilação mecânica.
E a falta de oxigênio medicinal leva centenas de moradores de Lima a fazer fila de até 72 horas para comprar o produto.
Em janeiro, quase 120 mil pessoas no Peru contraíram Covid-19, o dobro de dezembro, de acordo com o balanço oficial, e a tendência continua aumentando. O país acumula 1.133.022 infecções, desde o surgimento do vírus em março.
Machu Picchu fechada
Desde este domingo, os cassinos, estádios, igrejas, museus, sítios arqueológicos e a cidadela inca de Machu Picchu foram fechados novamente. A educação não será afetada neste primeiro momento porque as escolas e universidades estão em período de férias.
As viagens terrestres e aéreas interprovinciais estão proibidas, embora os voos internacionais continuem, com exceção dos do Brasil e da Europa.
Em 9 de fevereiro, chegará ao país o primeiro lote de um milhão de vacinas contra a Covid-19 da farmacêutica chinesa Sinopharm, testada entre 6 mil voluntários peruanos.
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