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Mais de 100 homicídios: general do exército colombiano será acusado de crimes cometidos entre 2007 e 2008


Subordinados do general aposentado Montoya admitiram ao Juizado Especial de Paz (JEP) que assassinaram civis para apresentá-los como vítimas de combate em troca de dias de férias e outros benefícios. O general aposentado Mario Montoya será acusado das execuções de 104 civis apresentados como rebeldes mortos em combate durante sua gestão do Exército colombiano (2006-2008), anunciou o Ministério Público da Colômbia neste sábado (31).
“Vamos imputá-lo como mandante do homicídio qualificado (…) de 104 dos chamados falsos positivos”, disse à revista colombiana ‘Semana’ o procurador-geral Francisco Barbosa, aludindo ao escândalo em que militares executaram milhares de civis entre para fazê-los passar como vítimas em meio a uma feroz luta contra guerrilhas. Segundo o órgão de investigação, os homicídios ocorreram entre 2007 e 2008 e cinco das vítimas eram menores. “Todos os autores eram militantes do Exército”, acrescentou Barbosa.
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Montoya se apresentou em 2018 ao Juizado Especial de Paz (JEP), que investiga os piores crimes do conflito e oferece penas alternativas de prisão para quem confessar seus crimes e reparar as vítimas. Seu caso não foi resolvido. De acordo com o JEP, mais de 6.400 civis foram mortos durante o governo de Álvaro Uribe por soldados incentivados por uma “contagem premiada de corpos”.
O ex-presidente e atual senador colombiano Álvaro Uribe, em foto de 8 de outubro de 2019
Raul Arboleda/AFP
A acusação busca “ajudar” o tribunal que emergiu dos acordos com os guerrilheiros das Farc em 2016 a esclarecer esses crimes, explicou Barbosa. Vários dos subordinados de Montoya admitiram ao JEP que assassinaram civis para apresentá-los como vítimas de combate em troca de dias de férias e outros benefícios.
O então major do Exército Gustavo Soto disse à agência de notícias AFP em 2020 que Montoya mediu os resultados operacionais “em mortes”. Segundo Barbosa, o oficial aposentado “seguia para as brigadas, para os batalhões, para as divisões (…) com a política de recompensas por essas execuções”. O general nega ter instigado esses crimes e sua defesa afirma que “em nenhum momento houve uma ordem ou diretriz ao Exército para atos tão atrozes”.