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Portugal elege novo presidente em meio a agravamento da pandemia


Pesquisas preveem abstenção recorde de 60 a 70%; atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social-Democrata, deve vencer com facilidade. Mulher com máscara protetora e protetor facial limpa cabine de votação em seção eleitoral de LIsboa
Pedro Nunes/Reuters
Mascarados, socialmente distanciados e com cada um recebendo sua própria caneta para evitar a propagação do coronavírus, os portugueses vão às urnas neste domingo (24) para eleger o seu presidente, mesmo com os casos de Covid-19 atingindo níveis recordes.
As pesquisas de opinião mostram que o atual ocupante do cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social-Democrata, de centro-direita, deve vencer com facilidade.
Os eleitores fizeram fila com a abertura das urnas na freguesia de Santo Antônio, em Lisboa, guiados por adesivos vermelhos no chão marcando a diferença de dois metros.
“Estou aqui entre os primeiros para evitar grupos e filas”, disse Cristina Queda, 58 anos, enquanto aguardava sua vez de votar. “Como a data das eleições não foi alterada, decidi vir mais cedo para evitar essa situação.”
Pouco menos de dois terços dos portugueses consideram que a eleição deveria ter sido adiada por causa da pandemia, de acordo com uma sondagem realizada na semana passada pelo instituto de pesquisa ISC/ISCTE.
Mulher de máscara segura cédula de votação em seção eleitoral em Lisboa
Pedro Nunes/Reuters
As pesquisas preveem uma abstenção recorde de 60 a 70%, em parte porque centenas de milhares de eleitores estão em quarentena.
O chefe da freguesia de Santo Antônio, Vasco Morgado, disse que as seções eleitorais tomaram todas as precauções – no caso da sua freguesia, há até ambulâncias na porta em caso de emergência.
“É o mais seguro possível neste momento”, disse Morgado. “É um ato democrático pelo qual muitas pessoas lutaram ao longo dos anos. A prova disso é que agora, mesmo em uma pandemia, as pessoas estão saindo para votar.”
Agravamento da pandemia
O país de 10 milhões de habitantes está passando por um grave surto de pandemia pós-Natal, com a maior média anual de novos casos e mortes per capita em sete dias.
As autoridades relataram um número recorde diário de 274 mortes e mais de 15.300 novos casos no sábado (23), com fila de ambulâncias por várias horas em hospitais lotados.
Já o governo de Portugal identificou na sexta-feira (22) o primeiro caso de infecção por coronavírus ligado a uma variante sul-africana, outra das mutações recentes do Sars-Cov-2 apontada como de alta transmissão.
“Não concordo que a data não tenha sido alterada”, disse José Antonio Queda, 72, que também foi votar cedo com sua esposa. “Se estivermos em confinamento, devemos evitar o vírus o máximo possível”, disse.
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