Geral

Preventivo é a principal forma de diagnóstico do câncer de colo do útero  

Apesar de se considerar uma pessoa preocupada com a saúde, a jequieense Maria Girlene Novaes, 54 anos, percebeu que estava em dívida, há algum tempo, com o exame preventivo – coleta de células do colo do útero, que tem por objetivo diagnosticar lesões ou alterações no órgão -, e foi a um posto de saúde da cidade para regularizar a situação. Sem sentir qualquer anormalidade no corpo, o susto ao receber o resultado foi grande. “O teste indicou lesões e o médico pediu outros exames para esclarecer a situação, foi aí que tive o meu diagnóstico de câncer no colo do útero”, recorda. 

Com a possibilidade de conseguir o tratamento através do SUS, Maria precisou se deslocar até Salvador, onde foi acolhida pelo Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer (NASPEC), que a encaminhou para iniciar a sua batalha contra a doença. “Foi um momento muito difícil, pois eu estava desempregada e não tinha renda nem para ir aos locais de tratamento”, relata. “Fui abraçada por muitas pessoas que me ajudaram naquele período. Atravessei a radioterapia e a quimio, e hoje sigo com o tratamento, levando uma vida muito próxima do normal. É fundamental manter os exames atualizados, pois é uma doença silenciosa e, quanto antes descobrimos, melhor para tratar”, afirma. 

Diagnóstico
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais frequente nas mulheres brasileiras, ficando atrás apenas dos de mama e colorretal, além de ser a quarta principal causa de morte por câncer entre a população feminina no país, chegando a mais de 6 mil óbitos por ano. Este mês, inclusive, é dedicado à prevenção da doença. O Janeiro Verde alerta para a necessidade desse cuidado.

Tendo em sua principal forma de diagnóstico o exame Papanicolau, popularmente conhecido como preventivo, o responsável pelo surgimento do câncer de colo do útero é o papilomavírus humano (HPV). A coordenadora de enfermagem do NASPEC, Kátia Baldini, explica que no Nordeste a incidência ainda é grande.

“Existe uma série de fatores que podem contribuir para um diagnóstico errado: da coleta ao transporte das amostras, além disso, muitas pessoas não entendem a importância do exame. É fundamental deixar claro que nem todo mundo que tem HPV, tem câncer. Mas todos que tem câncer, tem HPV, por isso, é preciso buscar o exame”, diz a especialista.

Ginecologista e responsável técnico do Grupo CAM, o médico Airton Ribeiro também reforça a necessidade da realização do exame, destacando que o câncer de colo do útero não costuma dar sinais, exceto em quadros já avançados da doença, a exemplo de sangramentos vaginais sem causa, corrimento vaginal alterado e mesmo a vontade excessiva de urinar, por isso a importância de manter o acompanhamento atualizado com ginecologista.

“Também precisamos ressaltar a importância do sexo seguro, com uso de preservativo, e a vacinação contra HPV em meninos e meninas, pois são ações preventivas fundamentais”, destaca o médico.  

Tratamentos 
Assim como em outros tipos de câncer, o tratamento para o quadro no colo do útero deve variar de acordo com o estágio da doença [confira abaixo].

“São diversas possibilidades, a exemplo da conização, histerectomia, traquelectomia ou mesmo a radioterapia e a quimio. Porém, quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maior a possibilidade de sucesso sem sequelas para a paciente”, comenta. 

Conização – O procedimento consiste na retirada de uma pequena parte do colo do útero, em forma de cone. Embora seja uma técnica mais utilizada para fazer a biópsia e confirmar o diagnóstico de câncer, a conização também pode ser considerada uma forma de tratamento padrão em casos de lesão escamosa intraepitelial de alto grau, que ainda não é considerada câncer, mas pode vir a evoluir para câncer.  

Histerectomia – É o método mais comumente indicado para o tratamento do câncer de colo de útero, podendo ser utilizada nas fases iniciais ou mais avançadas: 

Histerectomia total: remoção do útero e colo do útero, que pode ser feita por meio de um corte no abdômen, por laparoscopia ou através do canal vaginal. Normalmente é utilizada para tratar câncer em estágios iniciais. 

Histerectomia radical: além do útero e do colo do útero, a cirurgia remove a parte superior da vagina e os tecidos próximos. Em geral, esta cirurgia é recomendada para casos de câncer nos estágios mais avançados feita apenas através de corte no abdome. 

Traquelectomia – Intervenção cirúrgica que remove o colo do útero e o terço superior da vagina, deixando o corpo do útero intacto, permitindo que a mulher ainda possa engravidar depois do tratamento. Normalmente, esta cirurgia é utilizada nos casos de câncer de colo de útero em estágios iniciais. 

Exenteração pélvica – Cirurgia mais extensa, indicada nos casos de retorno do câncer. No procedimento são retirados o útero, o colo do útero e os gânglios da pélvis, podendo também ser necessário retirar outros órgãos, como ovários, trompas, vagina, bexiga e parte do final do intestino. 

Radioterapia e quimioterapia – Os tratamentos com radioterapia ou quimioterapia podem ser usados tanto antes quanto depois dos tratamentos cirúrgicos, como auxiliares no combate ao câncer, especialmente quando estiver em estágios avançados ou existir metástase do tumor. 


O Estúdio Correio produz conteúdo sob medida para marcas, em diferentes plataformas.