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Primeiro-ministro da Geórgia renuncia após tribunal emitir ordem de prisão contra opositor


Giorgi Gakharia pediu para sair em protesto contra decisão da Justiça em prender líder de partido oposicionista. Segundo ele, detenção pioraria crise no país. Primeiro-ministro da Geórgia, Giorgi Gakharia, em foto de 18 de junho
Shakh Aivazov/AP Photo
O primeiro-ministro da Geórgia, Giorgi Gakharia, anunciou nesta quinta-feira (18) a renúncia ao cargo. Ele tomou a decisão depois que um tribunal decidiu prender um dos líderes da oposição — o premiê georgiano é contra a prisão.
Em discurso transmitido pela televisão, Gakharia disse que a decisão de prender o opositor Nika Melia, presidente do partido opositor Movimento Nacional Unido, poderia agravar a crise política no país, uma ex-república da União Soviética.
“Infelizmente, não consegui chegar a um consenso com minha equipe sobre o assunto. Decidi renunciar”, lamentou o primeiro-ministro.
Um tribunal da capital da Geórgia, Tbilisi, decidiu na quarta-feira prender Melia sob a acusação de organizar “violência em massa” durante protestos contra o governo em 2019. Se condenado, pode pegar nove anos de prisão.
Nika Melia, líder da oposição da Geórgia contra quem tribunal emitiu ordem de prisão, em foto de outubro de 2020
AP Photo
Tanto o líder opositor quanto outros políticos prometeram resistir à ordem de prisão, que consideram injusta. De acordo com a agência russa Interfax, Melia permaneceu nesta quinta na sede do partido, e a polícia não o deteve. Depois que Gakharia anunciou a renúncia, o Ministério do Interior afirmou que adiaria a prisão do oposicionista.
Com a saída do primeiro-ministro, os opositores pedem novas eleições o mais rápido possível. Melia afirmou que respeita a decisão de Gakharia em renunciar, mas que somente um novo pleito poderia acalmar a tensão política no país.
A Geórgia vive crise política desde 2019, quando protestos contra o governo eclodiram no país. A situação piorou em outubro do ano passado, após o partido governista Sonho Georgiano vencer o pleito e opositores começarem a questionar o resultado das urnas.
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