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Renda fixa e variável: entenda as diferenças entre os investimentos

É preciso estudar bastante antes de entrar na renda variável

Nas últimas semanas, você já teve dicas de como planejar a sua vida financeira em 2021 e de que é recomendável tirar seu dinheiro da poupança neste ano. Também começou a se informar melhor sobre investimentos em podcasts, apps, livros e canais de YouTube.

Com tudo isso em mãos, também entendeu o significado de algumas das siglas mais comuns no mundo das corretoras de investimento. Agora que já está bem informado ou informada, chega a hora de começar a planejar a sua primeira aplicação.

Antes de tudo, é preciso entender que existem (de maneira bem resumida, ok?) dois tipos de aplicação. E você terá que conviver o tempo todo com esse linguajar nas conversas com quem estiver te assessorando. Por isso, entender a diferença entre eles é fundamental.

Estamos falando de investimentos em renda fixa e dos investimentos em renda variável. Em determinado momento, o investidor mais arrojado opta por ter aplicações nessas duas frentes. E você logo entenderá o porquê.

Mas, para quem está iniciando nos investimentos, o ideal é escolher um tipo de aplicação e acompanhar o resultado. Essa escolha é primordial e absolutamente pessoal: você é quem mais se conhece. Por isso, precisa passar para o seu assessor o seu perfil de forma precisa.

Em mais um capítulo do guia CORREIO sobre investimentos, você entenderá as direnças entre renda fixa e renda variável. E entenderá a qual investimento o seu perfil se adapta melhor.

RENDA FIXA

Levam esse nome por serem investimentos com rentabilidade previsível. Ou seja, o investidor já sabe, de antemão, no momento em que está investindo, o quanto terá de retorno se deixar o valor aplicado até a data de vencimento.

Aliás, essa é outra característica bem típica da renda fixa: os investimentos possuem um prazo, que é a data de vencimento. O prazo pode variar bastante, desde um ano até mesmo uma década.

O rendimento da renda fixa geralmente está ligado a um índice. Pode ser a taxa Selic (a taxa básica de juros do país), o CDI (a taxa praticada em empréstimo entre bancos) ou o IPC-A (a taxa da inflação). Todas essas siglas já foram explicadas aqui no CORREIO.

Exemplo: se a taxa de retorno aparece como 120% do CDI ao ano, isso significa que o seu dinheiro renderá 1,2 vezes a porcentagem do índice CDI daquele ano. Se ele for de 2%, por exemplo, quer dizer que seu dinheiro renderá 2,4% ao ano.

Esse é o investimento ideal para as pessoas mais conservadoras ou para aqueles que ainda estão iniciando no mundo dos investimentos. Justamente por terem essa segurança de saber o quanto vão receber no vencimento”, explica Thiago Wagner (@thiagowagners no Instagram), consultor de finanças pessoais.

Os produtos mais conhecidos de renda fixa são o Tesouro Direto e os CDBs. O primeiro é uma espécie de empréstimo ao Governo Federal, geralmente por um período mais longo. A rentabilidade geralmente é dada pelo IPC-A (inflação) mais um pequeno ganho.

Os CDBs são empréstimos aos bancos, e já foram explicados na última matéria da série, assim como as LCIs e LCAs, que financiam empreendimentos agrários e imobiliários.

Todos esses investimentos têm a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Isso significa que, caso o banco ao qual você emprestou o seu dinheiro quebre, por exemplo, o Governo Federal te retorna o valor investido até R$ 250 mil.

Para quem vale a pena?

Com todas essa características – garantia do FGC, retorno previsível e prazo de vencimento – a renda fixa é o investimento ideal para quem está começando a tirar o dinheiro da poupança e para aqueles que não gostam de correr riscos.

O risco é muito baixo. É um investimento voltado para os mais conservadores, que gostam de saber o quanto vão receber após o período e para aqueles que não possuem tanto tempo para acompanhar, dia após dia, as oscilações da economia e da bolsa”, explica Thiago Wagner.

“A renda fixa também é indicada para quem ainda planeja formar a sua reserva de emergência. Só é preciso ter atenção no que diz respeito à liquidez do produto escolhido. Nesse caso, precisa ser uma liquidez diária, para que o investidor não tenha surpresas na hora de sacar o dinheiro”, completa.

Por outro lado, a renda fixa não atrai pelos ganhos. Como explicado, a sua rentabilidade tem como base índices econômicos como Selic e CDI. Neste momento, eles estão girando em torno de 2% ao ano.

Se um CDB paga 120% do CDI, por exemplo, ele dá 2,4% de retorno ao ano. É mais do que a poupança, que paga 70% da Selic. Porém, é menos do que a inflação, que fechou acima dos 4% em 2020. Por outro lado, se você fechar uma aplicação de longo prazo e o CDI subir nos próximos anos, você pode ganhar acima da inflação.

Por isso, os especialistas divergem em relação à renda fixa. Para alguns, enquanto a Selic continuar muito abaixo da inflação, o ideal mesmo é investir em renda variável. Para outros, a segurança pode ser interessante, mesmo com uma leve perda para a inflação.

Thiago Wagner dá a sua opinião: “Acho que não é uma questão de ser ruim. A renda fixa ainda permite ganhos reais acima da inflação para quem aposta no longo prazo. Claro que hoje um produto ligado ao CDI ou à Selic vai dar menos, mas esses produtos ainda são importantes para a reserva de emergência, por exemplo”.

“Agora, se o investidor procura maiores rentabilidades, especialmente no curto e médio prazo, ele tem que correr para a renda variável, não há dúvidas. Só que para ir nesse campo, é preciso mais estudo e risco. Então creio que para quem é conservador e aposta no longo prazo, a renda fixa pode ser útil. Para aqueles que estão dispostos a maior risco, a renda variável é o caminho”, completa.

RENDA VARIÁVEL

Desde que o Governo Federal começou a cortar a taxa Selic, ao ponto dela chegar a 2% em agosto de 2020 – o menor patamar da história -, o investimento em renda variável tornou-se a opção mais óbvia para quem não quer apenas repor perdas, mas também ganhar dinheiro com investimentos.

De maneira simples e direta: são chamados de ‘renda variável’ os investimentos nos quais quem aplica não sabe o quanto vai ganhar, de fato. É possível ter perdas gigantescas ou ganhos gigantescos.

Por isso, esse tipo de investimento desperta sentimentos tão distantes como o medo e a cautela em excesso até a ganância de ficar milionário. Mas a verdade é que não há tanto mistério. Para se dar bem, basta entender o seu perfil e estudar muito.

Diferentemente da renda fixa, esse tipo de investimento não possui garantia do FGC. E em muitos casos a pessoa só pode retirar o valor aplicado, caso se arrependa, dentro de alguns dias, ou até meses. “Por isso, é um modelo que exige maior cuidado e busca por informações e uma assessoria”, comenta o consultor de finanças pessoais Thiago Wagner.

Os investimentos em renda variável possuem uma alta volatilidade, e respondem às expectativas do mercado financeiro. Dependem do cenário político e econômico do país, por exemplo, do câmbio e das decisões que as empresas tomam. Decisões importantes de macroeconomia, como uma reforma, ou um evento de grandes proporções, como a pandemia da covid-19, podem ampliar essa volatilidade.

A essa altura, você já deve ter entendido que as ‘meninas dos olhos’ da renda variável são as ações de empresas, vendidas por elas nas bolsas de valores. Cada ação representa uma parcela da propriedade de uma empresa de capital aberto. Ao vendê-las, as empresas captam dinheiro para investir em estrutura, contratações etc.

Se a empresa em questão crescer, as pessoas que adquiriram suas ações podem receber um valor como parte dos seus dividendos (ou lucros). O proprietário da ação também pode vendê-la no mercado por um preço mais caro, já que a empresa se valorizou desde o momento da compra.

Existem outros tipos de investimentos em renda fixa, que renderão um post específico para eles. São os Contratos Futuros, Opções, ETFs, Câmbios, Commodities, entre outros.

Para quem é indicado?

Naturalmente, o investimento em ativos de renda variável não é para qualquer um. Para entrar nesse mundo, é preciso querer e poder correr os riscos naturais dele.

O tipo ideal de investidor em renda variável é aquele que já possui um conhecimento maior sobre a área e que possui tempo de acompanhar o mercado mais de perto. Além disso, aquele que pode e deseja correr alguns riscos em troca de maiores retornos”, explica Thiago Wagner.

Além disso, é preciso ter frieza, já que em muitos momentos de perda o melhor é deixar o dinheiro onde está, visando uma recuperação futura da empresa. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2020.

“No começo da pandemia, em março, muita gente se desesperou com a queda em torno dos 60 mil pontos na B3 (bolsa do brasil) e vendeu muito, mas quem teve sangue frio e viu que era algo muito extraordinário teve a chance de lucrar muito com a subida agora no fim do ano”, lembra Thiago Wagner.

Em suma, o indicado para alguns investidores mais arrojados é a diversificação. Manter uma parte do seu patrimônio em renda fixa, como uma reserva de emergência, e outra parte em renda variável, para obter um ganho real diante da inflação.