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Vendas de veículos novos têm pior resultado desde 2006

Neste período de tantas dificuldades e incertezas, quem precisou comprar um carro, preferiu gastar menos e foi atrás de um carro usado. Esse mercado também caiu em 2020, mas foi menos do que o de carros novos. Vendas de veículos novos têm pior resultado desde 2006
Em 2020, as vendas de carros e veículos comerciais leves novos tiveram o pior resultado desde 2006.
Produção completamente parada. Teve montadora de automóveis que ficou dois meses sem fabricar em 2020 e muitas ainda tiveram que enfrentar a falta de peças e componentes.
Nas lojas, a paralisação foi ainda maior, chegou a três meses.
“Hoje, 90% da rede de concessionárias são formados por pequenos empresários, pequenas empresas. Se você para um dia, já é uma dificuldade. Então, a falta de liquidez, de capital de giro, e a falta de previsibilidade foram o mais agravante no nosso setor”, afirma Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave.
Uma nova realidade que explica o 2020 atípico. O setor que começou 2020 vendendo perto de 200 mil automóveis novos por mês, levou um tombo em abril e maio, período mais impactado pela pandemia. As vendas caíram para pouco mais de 50 mil unidades. Depois, o setor foi se recuperando mês a mês e chegou em dezembro com vendas maiores do que em janeiro, mas não foram suficientes para recuperar as perdas do ano – que ficaram em 26%.
Neste período de tantas dificuldades e incertezas, quem precisou comprar um carro, preferiu gastar menos e foi atrás de um carro usado. Esse mercado também caiu em 2020, mas foi menos do que o de carros novos. Teve concessionária que até colocou os carros usados em destaque, na vitrine, como cartão de visitas.
Uma loja na Zona Oeste de São Paulo vendeu quase o dobro de carros usados em dezembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior. “Eu faço isso há mais de 20 anos. Eu nunca tinha visto dessa forma. Tem fila para comprar carro usado. Na hora que entra um carro usado, já está vendido. Tem cliente que já deixa sinal esperando. Ontem, por exemplo, entrou cinco carros na troca, dos cinco carros que entraram na troca, desses cinco, quatro já foram vendidos”, conta Wilson Goes, diretor de vendas da concessionária.
O técnico de fibra ótica Wallace Mariano vendeu o carro no começo do ano para reformar a casa e agora voltou com a mulher para comprar outro. Como continuou empregado, teve mais segurança para entrar em um financiamento com os juros mais baixos e preferiu um modelo usado.
“Tem que pegar um carro que cabe no seu bolso. Falei: é agora, a oportunidade é essa”, diz Wallace.
A procura maior é por carros de até três anos de uso. “Hoje, 80% dos carros tem 3 anos de garantia no mínimo, então o cliente pega o carro com um ano, dois anos de uso, e ainda tem garantia do fabricante. Além do mais, ele já pega o carro com IPVA pago, licenciado, depreciado. Então, nesse momento que o pessoal prefere se conter, gastar menos por causa das incertezas que a gente atravessa, é o que mais procura”, explica Wilson.
Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave e representante do setor, espera que em 2021 a economia brasileira se recupere e faça a roda das vendas girar.
“Onde há crescimento, há investimento. E onde há investimento, a roda gira. Então, na crença disso, ainda uma inflação muito controlada – por mais que esteja anunciado seu crescimento, é uma inflação controlada -, juro muito baixo. Tudo isso favorece. E a nossa frota é velha. Então esse comprador que realmente precisa do veículo, precisa da moto, vai continuar, porque vai ter crescimento econômico”, disse.